Tudo contra Lula

Tudo contra Lula

Para a jornalista Teresa Cruvinel, do Brasil 247, o golpe vai além de Lula e não termina em 24 de janeiro, data surpreendentemente marcada pelo TRF-4 para o julgamento do recurso contra a sentença do juiz Sérgio Moro. Passaram-se apenas 42 dias entre a condenação e a emissão do voto do relator no tribunal de apelação. E pouco mais de uma semana depois, a data do julgamento foi marcada.
Para ela, a disputa real será entre as forças golpistas e as que se opuserem ao golpe. "Haverá ainda jogo jurídico, pois mesmo com Lula condenado e esgotados os recursos na segunda instância antes de agosto , ele pode reabrir a batalha judicial, nos tribunais superiores, quando tentar registrar sua candidatura e ela for indeferida. Poderá concorrer sub judice, como fizeram muitos prefeitos em 2016, com toda a carga de incerteza que isso traria para a disputa. E haverá jogo político-eleitoral, pois a disputa real não será entre Lula e os outros, mas entre as forças golpistas e as que se opuseram ao golpe. Se Lula for impedido de encarnar, para o eleitorado, a repulsa ao golpe, ao governo desastroso de Temer, a suas reformas e a seu entreguismo, a seu fisiologismo, outro nome do PT ou da centro-esquerda cumprirá este papel, tendo Lula como cabo eleitoral. E não será difícil derrotar o candidato do retrocesso que a população já decifrou, sofre na pele e rejeita, embora não proteste por uma série de razões. Entre elas, a inibição que paralisa todos aqueles que se deixaram enganar, bateram panelas e pediram o impeachment de Dilma. Estão todos se guardando para quando a eleição chegar", declarou.
Em nota, a ex-presidente Dilma lembrou que o mesmo tribunal que marcara a data do julgamento do recurso de Lula em tempo recorde, mantém na gaveta há 12 anos o julgamento do recurso do senador tucano Eduardo Azeredo, condenado em primeira instância.
"O mesmo tribunal que está examinando o recurso de Lula na metade do tempo dos julgamentos mais rápidos que já realizou, marcou uma sentença para o dia 24 de janeiro, na primeira sessão após o recesso de fim de ano.
Os tribunais devem ser movidos pelo dever de fazer justiça, segundo as leis, o devido processo legal, e prazos que assegurem amplo direito de defesa.
Os democratas deste país, aqueles que prezam a normalidade democrática e o pleno funcionamento das instituições, devem defender o direito de Lula de concorrer à presidência.
Interditar Lula é casuísmo. Eleição sem Lula é eleição sem legitimidade. Eleição sem que Lula tenha direito de concorrer é mais um golpe contra a democracia", diz a nota da ex-presidenta.
O jornalista Ricardo Capelli, também do Brasil 247, não economizou palavras: "Para quem acreditava que ainda vivíamos numa democracia, que estávamos a léguas de distância dos anos de chumbo, a velocidade do julgamento de Lula é um fato definitivo. Estamos com um golpe de estado a todo vapor. As baionetas foram substituídas pelos tribunais", escreveu.
Para ele, está em curso a completa desestabilização do Brasil. "Será impossível retomar um projeto nacional de desenvolvimento ou qualquer tipo de paz social com a radicalização em marcha. A Globo, âncora da desestabilização, ultrapassou todos os limites, e dobra a aposta no enfrentamento social.
A cobra do fascismo apoiada na Aliança do Coliseu, formada pela Globo com setores antinacionais da burocracia estatal, colocou a cabeça de fora para o golpe definitivo", declara.
Capelli alerta para que a esquerda procure reunir todas as forças democráticas e patrióticas do país. "É hora de conversar com todos os democratas, inclusive os que não comungam dos mesmos ideais. É preciso procurar inclusive os setores militares comprometidos com a democracia.
O que Lula fará? Não se trata do senhor Luís Inácio, mas do personagem histórico representante da esperança e dos sonhos de milhares de pessoas de carne e osso. Getúlio, na mesma situação, entregou sua vida. Adiou a escuridão por dez anos. Lula irá para o cárcere como exigem os Marinho? Aceitará o destino que a reação quer lhe impor? O que faremos?", indaga.