A investigação sobre a morte do policial militar José Maria Alexandre da Silva Júnior ganhou um novo desdobramento após a defesa da ex-companheira do cabo da Polícia Militar afirmar que a mulher percebeu uma suposta troca de taças durante um encontro ocorrido horas antes do falecimento.
Segundo os advogados da corretora de imóveis de 48 anos, a mulher desconfiou da atitude do policial e decidiu trocar novamente os recipientes antes de consumir a bebida. O caso aconteceu em um apartamento localizado no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, e segue sendo investigado pela Polícia Civil como "morte a esclarecer".
Defesa relata suspeita após troca de taças durante encontro
De acordo com o advogado Rafael Nunes, o ex-casal consumia energético enquanto conversava no apartamento quando a mulher percebeu que as taças haviam sido trocadas pelo policial militar.
A defesa informou que os recipientes possuíam uma identificação feita com um ponto preto, método utilizado pela corretora para diferenciar utensílios entre os moradores dos quartos que ela subloca no imóvel.
Segundo o relato apresentado à polícia, a mulher teria notado a alteração após retornar da cozinha para buscar gelo. Assustada com a situação, ela aguardou uma oportunidade para recolocar as taças em suas posições originais sem que o policial percebesse.
Ainda conforme os advogados, o relacionamento entre os dois durou cerca de seis meses e era marcado por conflitos. A mulher possuía uma medida protetiva contra Silva Júnior desde março deste ano, após episódios de violência doméstica denunciados por ela.
Relacionamento conturbado e descumprimento de medida protetiva
A defesa afirma que, apesar da restrição judicial, o policial continuava procurando a ex-companheira de forma insistente. Na madrugada do dia do ocorrido, por volta da 1h, ele teria sido autorizado a entrar no apartamento.
Durante a permanência no local, os dois teriam discutido, mas sem agressões físicas. Os advogados relatam que, em um momento de ciúmes, o policial teria arremessado pela janela tanto o próprio celular quanto o aparelho da ex-companheira.
Após a conversa, ambos foram dormir. Um dos inquilinos do imóvel ocupava um quarto vizinho e poderá contribuir com as investigações.
Testemunha teria sido informada sobre suspeita ainda pela manhã
Segundo a defesa, na manhã seguinte, por volta das 7h30, a mulher comentou com um dos locatários do apartamento que havia percebido a troca das taças durante a madrugada.
Horas depois, o estado de saúde do policial começou a se deteriorar.
Conforme relatado pelo advogado Flávio Lapenda, Silva Júnior passou mal por volta do meio-dia, apresentando sinais graves de comprometimento físico.
"A mulher desceu para pedir ajuda e o porteiro acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que constatou o óbito", informou a defesa.
Polícia investiga causa da morte e aguarda laudos periciais
Até o momento, a causa da morte do policial militar permanece indefinida. A hipótese de envenenamento é uma das linhas investigativas, mas ainda não foi confirmada nem descartada pelas autoridades.
Os advogados também afirmaram que, entre os pertences do policial, foram encontrados uma faca, uma porção de maconha e medicamentos. O material recolhido deverá passar por análise pericial para auxiliar na elucidação do caso.
Segundo Rafael Nunes, a ex-companheira prestou depoimento às autoridades apenas na condição de testemunha e colaborou com todas as informações solicitadas pela investigação.
Caso é investigado pelo DHPP
A Polícia Civil de Pernambuco informou que o caso está sob responsabilidade da 3ª Delegacia de Homicídios, vinculada ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Os investigadores aguardam a conclusão dos exames periciais para determinar as circunstâncias da morte do policial militar José Maria Alexandre da Silva Júnior e esclarecer se houve ou não a participação de terceiros no ocorrido.