A morte da menina Alice Brasil Souza da Paz, de quatro anos, ocorrida na última terça-feira (5) dentro da unidade Kennedy do Colégio CEV, em Teresina, segue sob investigação da Polícia Civil do Piauí. A criança foi atingida por uma penteadeira infantil enquanto brincava na brinquedoteca da escola, não resistindo aos ferimentos.
Segundo comunicado divulgado pela instituição ontem, por volta das 13h33 do dia do acidente, Alice estava no espaço lúdico com outras quatro crianças, sob supervisão de três funcionárias — duas no interior da sala e uma na porta. Durante uma brincadeira, outra criança entrou debaixo do móvel e, ao se levantar, provocou o tombamento da estrutura, que atingiu Alice, deitada no chão.
De acordo com a escola, o objeto foi imediatamente retirado e a aluna recebeu os primeiros socorros na enfermaria. Uma equipe acompanhou o transporte até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Satélite, orientada pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). No trajeto, a equipe parou para aguardar uma ambulância que se deslocava para prestar atendimento. Após mais de 40 minutos de tentativas de reanimação, a morte foi confirmada.
O colégio afirma ter colocado à disposição das autoridades imagens de câmeras, depoimentos e acesso ao local do acidente, além de oferecer suporte psicológico aos colegas de Alice e apoio à família. As aulas foram suspensas em todas as unidades nesta semana.
Alice era filha do major do Exército Cláudio Sousa e da fotógrafa Dayana Brasil. Ela tinha um irmão gêmeo, Arthur, com quem comemorou o aniversário na véspera da tragédia.
O governador Rafael Fonteles (PT) manifestou pesar nas redes sociais, destacando vínculo pessoal com a instituição. “Recebemos com imensa tristeza a notícia do trágico falecimento da pequena Alice (...). Que Deus, em Sua infinita bondade e misericórdia, conforte a família, amigos e comunidade escolar”, escreveu.
Cobrança por explicações e apelo por segurança
Em coletiva de imprensa, o pai da criança afirmou que a família ainda não recebeu esclarecimentos concretos sobre o ocorrido e criticou a falta de suporte psicológico por parte da escola. “Entregamos nossa filha viva e saudável para comemorar o aniversário. Poucas horas depois, recebemos a notícia de sua morte. Primeiro disseram que foi um brinquedo, depois a versão mudou. Queremos justiça para que nenhuma outra criança passe pelo que a nossa passou”, disse Cláudio Sousa.
Ele também alertou para a necessidade de revisão das estruturas de segurança em espaços voltados a crianças. “Isso deveria ser regra. Não podemos admitir que uma criança morra em um local onde deveria estar protegida.”
A mãe, Dayana Brasil, reforçou as cobranças e narrou as últimas horas ao lado da filha. Segundo ela, Alice estava feliz para celebrar o aniversário com o irmão e colegas. Horas depois, foi avisada que a menina seria levada à UPA. No caminho, recebeu a localização de uma ambulância parada, onde encontrou a filha em atendimento emergencial.
“É a cena mais cruel que já presenciei. Você vê sua filha sem vida e não pode fazer mais nada. Ela não podia mais ouvir minha voz”, relatou, emocionada.
Investigações
O delegado Hugo Alcântara, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), informou que a apuração é procedimento padrão em casos de morte, acidental ou não. Testemunhas, familiares e funcionários serão ouvidos para esclarecer as circunstâncias. “Sempre que há óbito, investigamos as circunstâncias, pois pode haver repercussões legais”, explicou.
O corpo de Alice foi sepultado na quarta-feira (6), data em que o pai completava aniversário. “O meu aniversário foi enterrar minha filha”, lamentou Cláudio Sousa.