Toffoli prorroga investigação de Vorcaro por mais 60 dias

Inquérito apura suspeitas de fraude bilionária, prisões e possível manipulação digital

O ministro Dias Toffoli, do STF, prorrogou por 60 dias a investigação da PF contra Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O inquérito apura suspeitas de fraudes, incluindo a venda de créditos inexistentes ao BRB, já resultou em prisões e prevê novos depoimentos ainda em janeiro.

O que aconteceu

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a prorrogação por mais 60 dias da investigação conduzida pela Polícia Federal contra Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A extensão do prazo foi solicitada pela PF e considerada uma medida comum em apurações desse porte.

O inquérito investiga diversas suspeitas de fraudes e práticas ilícitas no banco. Um dos pontos centrais é a possível tentativa de venda de créditos inexistentes, estimados em R$ 12,2 bilhões, ao Banco de Brasília (BRB). Segundo a PF, essa é uma das frentes mais avançadas da apuração e pode ser concluída em curto prazo. Há indícios de uso de documentos falsificados na operação.

No dia 17 de novembro, quatro pessoas foram presas no âmbito da investigação: Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e sócio do Banco Master; Luiz Antônio Bull, diretor responsável por áreas como Riscos e Compliance; Alberto Felix de Oliveira Neto, superintendente executivo de Tesouraria; e Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, também sócio da instituição.

A PF informou que Lima, Bull e Silva prestarão depoimento entre 26 e 28 de janeiro. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, também será ouvido. Já o depoimento de Daniel Vorcaro está agendado para 27 de janeiro. Para acelerar o processo, Toffoli determinou a redução do prazo de coleta de depoimentos de seis para dois dias, citando limitações de pessoal e de espaço no STF.

Paralelamente, a PF apura indícios de uma possível campanha coordenada em redes sociais para atacar o Banco Central e investigadores do caso. Ao menos 46 perfis teriam participado de um “bombardeio digital”. Embora ainda não haja um novo inquérito formal, a apuração segue por meio de uma Notícia-Crime em Verificação, que pode resultar na ampliação das investigações.