Toffoli indica peritos para o caso Master e aprofunda tensão com a PF; entenda

Escolha direta de especialistas pelo STF reacende debate sobre autonomia da Polícia Federal

A indicação direta de quatro peritos da Polícia Federal pelo ministro Dias Toffoli para analisar provas da Operação Compliance Zero gerou desconforto na corporação. A decisão, tomada sem consulta interna e após ordens contraditórias, foi vista como interferência na autonomia técnica e ampliou o atrito entre STF, PF e PGR.

O que aconteceu

A decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), de nomear quatro peritos da Polícia Federal para atuar na análise de material apreendido na Operação Compliance Zero provocou reação interna na corporação. A medida foi anunciada sem consulta à direção da PF e antes de comunicação oficial, levando investigadores a tomarem conhecimento dos nomes pela imprensa.

Tradicionalmente, o STF solicita perícias ao Instituto Nacional de Criminalística (INC), que define os profissionais adequados entre mais de 200 especialistas. Ao apresentar uma lista definida por seu gabinete, Toffoli rompeu esse fluxo, retirando autonomia da PF e sinalizando controle direto sobre a etapa de extração e análise de provas digitais.

O desconforto aumentou porque a nomeação ocorreu após mudanças rápidas de posição. Inicialmente, Toffoli determinou que todo o material apreendido fosse lacrado e enviado ao STF. Delegados alertaram para riscos de destruição remota de provas e questionaram a capacidade técnica da Corte para processar grandes volumes de dados. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, pediu reconsideração, destacando prejuízos à preservação das evidências.

Horas depois, o ministro autorizou o envio do material à Procuradoria-Geral da República (PGR). Após pedido do procurador-geral Paulo Gonet, determinou que a PF encaminhasse todo o acervo à PGR para extração e análise, momento em que apresentou a lista dos peritos: Luís Filipe da Cruz Nassif, Tiago Barroso de Melo, Enelson Candeia da Cruz Filho e Lorenzo Victor Schrepel Delmutti, todos com acesso irrestrito aos dados.

Embora os profissionais sejam reconhecidos e qualificados, dentro da PF o episódio é visto como desgaste duplo: interferência na autonomia técnica e recuos sucessivos que expuseram incertezas sobre a condução e as responsabilidades na investigação.