Três técnicos de enfermagem foram presos pela Polícia Civil do DF suspeitos de matar três pacientes na UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga, no fim de 2025. A investigação aponta aplicação indevida de substâncias letais, com atuação coordenada e apoio interno. O hospital denunciou o caso e colabora com as apurações.
O que aconteceu
A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu, nesta segunda-feira (19/1), três técnicos de enfermagem acusados de provocar a morte de três pacientes internados na UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga. Os crimes ocorreram entre novembro e dezembro de 2025 e são investigados como homicídios no âmbito da Operação Anúbis, conduzida pela Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa (CHPP).
Segundo as apurações, os suspeitos teriam causado as mortes por meio da aplicação indevida de um composto químico diretamente na veia dos pacientes. A substância, quando administrada de forma incorreta, pode provocar parada cardíaca e, conforme fontes da investigação, não deixaria vestígios evidentes.
A primeira fase da operação foi deflagrada em 11 de janeiro, com prisões temporárias e cumprimento de mandados de busca em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas. Materiais apreendidos passaram por análise pericial. A polícia apura a dinâmica dos fatos, o papel de cada envolvido e a possível participação de outras pessoas.
As investigações indicam que o grupo atuava de forma coordenada dentro da rotina hospitalar. Um dos técnicos, de 24 anos, teria utilizado indevidamente o sistema eletrônico do hospital, em nome de um médico, para prescrever medicamentos incompatíveis com o quadro clínico das vítimas. Ele retirava os remédios na farmácia e os aplicava sem autorização médica. Em um dos casos, também teria sido aplicado desinfetante por via intravenosa, substância sem indicação para esse uso.
Imagens das câmeras da UTI confirmaram a presença dos suspeitos nos momentos dos procedimentos. Após negarem envolvimento, os três acabaram confessando. Na segunda fase da operação, deflagrada em 15 de janeiro, houve nova prisão e apreensão de dispositivos eletrônicos para aprofundar as investigações.