Aliados atribuem à atuação paralela de Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas no STF a transferência de Jair Bolsonaro para a “Papudinha”. O movimento teria fortalecido politicamente a dupla, ampliando seu protagonismo interno e abrindo espaço para uma possível chapa presidencial, em meio a disputas no bolsonarismo.
O que aconteceu
Aliados da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), avaliam que a atuação conjunta, ainda que não combinada de ambos junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) foi determinante para a decisão que levou Jair Bolsonaro (PL) a ser transferido para a chamada “Papudinha”. Nos bastidores, a movimentação é descrita como uma “articulação casada” que teria produzido um “sinal positivo” do ministro Alexandre de Moraes, conforme relato do colunista Igor Gadelha, do Metrópoles.
Pessoas próximas a Michelle e Tarcísio afirmam que não houve coordenação prévia entre eles. Mesmo assim, a avaliação interna é de que a atuação paralela acabou influenciando o encaminhamento adotado pelo STF no caso envolvendo o ex-presidente.
Entre aliados de Jair Bolsonaro, a leitura é de que a decisão judicial elevou o protagonismo político de Tarcísio e Michelle, funcionando como contraponto à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, apoiada publicamente pelo pai. Apesar do respaldo, persistem divergências internas sobre a melhor estratégia eleitoral para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Nesse contexto, cresce a defesa de uma chapa liderada por Tarcísio, com Michelle como vice. Para esse grupo, a transferência de Bolsonaro para a “Papudinha” representou um “round” vencido pela dupla na disputa por espaço político dentro do bolsonarismo, em detrimento de Flávio.
A avaliação também considera que uma eventual concessão de prisão domiciliar poderia ampliar ainda mais o capital político de Tarcísio e Michelle, projetando-os como lideranças capazes de diálogo institucional em momentos de crise. Michelle conversou recentemente com o ministro Gilmar Mendes sobre a possibilidade de prisão domiciliar e o estado de saúde de Bolsonaro. Já Tarcísio procurou ao menos dois ministros do STF e falou por telefone com magistrados na véspera da decisão de Alexandre de Moraes.