Em meio ao acordo com a chamada terceira via — consórcio que reúne o Centrão, a Faria Lima e a mídia liberal —, o governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), teria admitido a interlocutores que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “está com a reeleição na mão” e que será difícil derrotá-lo na disputa presidencial de 2026.
A informação foi revelada por pessoas próximas ao governador à colunista Bela Megale, do jornal O Globo. Segundo a publicação, Tarcísio tem sido pressionado por setores do consórcio político e econômico a assumir a liderança da candidatura anti-Lula, especialmente após a privatização acelerada da Sabesp, uma das maiores companhias públicas de saneamento do mundo.
Depois da entrega da empresa ao mercado financeiro, o governador concedeu entrevista à GloboNews, onde reforçou sua defesa da agenda neoliberal e reafirmou o compromisso com novas privatizações.
Contudo, ataques de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o avanço de discursos conspiracionistas no campo bolsonarista teriam atrapalhado os planos do grupo, levando Tarcísio a considerar disputar a reeleição em São Paulo, vista como praticamente garantida.
Nos últimos dias, porém, o governador voltou a cogitar o projeto presidencial, após conversas com Ciro Nogueira (PP) — que mira a vice na chapa —, Antonio Rueda (União Brasil) e Gilberto Kassab (PSD), que atua como seu assessor especial no Palácio dos Bandeirantes.
A ofensiva para desgastar o governo Lula após a aprovação da isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil incluiu a derrubada da MP que taxava bilionários, bancos e empresas de apostas. Segundo fontes, Tarcísio teria ameaçado desistir da corrida presidencial caso a medida fosse aprovada.
Com a vitória da articulação na Câmara, o governador reaproximou-se da terceira via, mas, conforme os vazamentos à imprensa nesta sexta-feira (10), ainda avalia que seria muito difícil vencer Lula nas urnas.
Na véspera, o colunista Merval Pereira, considerado porta-voz político da família Marinho, escreveu que “a eleição já começou” e classificou o resultado da votação como uma “vitória de Tarcísio, Kassab e do Centrão”.
“A pesquisa Quaest sugere que a direita estará unida contra o petismo, seja qual for o candidato, e que o governador de São Paulo desponta como o nome mais viável”, afirmou Merval.
“A derrota do governo ontem na Câmara foi uma vitória dele, do presidente do PSD, Gilberto Kassab, e do Centrão como um todo. Mostra que, unidos, podem ter atuação consistente na campanha eleitoral. Principalmente agora, que Lula recupera popularidade, será preciso essa ação conjunta para tentar derrotá-lo nas urnas no ano que vem”, completou o colunista.