Suspeito de feminicídio recebeu R$ 12 mi de produtora do filme de Bolsonaro

Contrato milionário, produtora ligada à cinebiografia de Bolsonaro e morte violenta expõem rede de irregularidades.

Alex Leandro Bispo dos Santos, preso por espancar e causar a morte da esposa, recebeu R$ 12 milhões da produtora executiva do filme sobre Jair Bolsonaro. O valor veio de um contrato de R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo para instalar wi-fi em áreas vulneráveis, marcado por ao menos 20 irregularidades. A empresa de Alex foi terceirizada e recebeu por serviços superfaturados, muitos não entregues. Documentos mostram assinaturas dele e da vítima nos contratos. O escândalo se agrava com a investigação de feminicídio que levou à prisão preventiva do acusado.

 Maria Katiane Gomes da Silva e Alex Leandro Bispo dos Santos

O que aconteceu 

Alex Leandro Bispo dos Santos, preso suspeito de feminicídio, recebeu R$ 12 milhões da produtora executiva da cinebiografia de Jair Bolsonaro, Karina Pereira da Gama, presidente do Instituto Conhecer Brasil (ICB). O pagamento veio de um contrato firmado em 2023 entre a Prefeitura de São Paulo e o ICB, no valor de R$ 108 milhões, destinado à instalação e manutenção de 5.000 pontos de wi-fi gratuito em regiões carentes. A contratação, segundo o Tribunal de Contas do Município, apresentava ao menos 20 irregularidades, incluindo critérios genéricos para selecionar a ONG e custos muito superiores aos de serviços similares realizados pela Prodam.

Mesmo antes da instalação completa da rede, a prefeitura aceitou considerar 30 de junho de 2024 como data-base de funcionamento de todos os pontos, o que resultou no pagamento de R$ 26 milhões por manutenções de pontos inexistentes. Nesse contexto aparece a Favela Conectada, empresa de Alex Bispo, contratada como terceirizada para manutenção dos equipamentos. A empresa recebia R$ 712 por ponto por mês e, em um dos pagamentos, obteve 12 mensalidades por um serviço prestado por pouco mais de dois meses. No total, a Favela Conectada foi contratada para instalar 2.000 pontos, e documentos do contrato mostram assinaturas de Alex, às vezes apenas como “Alex” e com CPF incompleto, além da assinatura de Maria Katiane como testemunha.

A empresa funcionava no mesmo prédio de um escritório cujo aluguel, incluindo um cheque caução de R$ 18 mil, foi pago com verbas do projeto. Enquanto o dinheiro circulava, o caso pessoal de Alex tomava um rumo trágico. Em 29 de novembro, ele agrediu brutalmente Maria Katiane em um prédio na zona sul de São Paulo. Câmeras registraram as agressões no estacionamento e no elevador. Minutos depois, Maria caiu do décimo andar e morreu. Alex retornou ao elevador sozinho, demonstrando aparente desespero. A prisão preventiva foi decretada em 9 de dezembro, e o caso é investigado como feminicídio pela 89ª Delegacia de Polícia.

A Prefeitura de São Paulo nega irregularidades e afirma que o programa WiFi Livre SP segue em execução com mais de 3.200 pontos ativos. Também declara que a escolha de uma organização social se deu pela necessidade de atuar em áreas privadas. O ICB e a defesa de Alex não foram localizados.

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