SRF forma maioria na turma para manter prisão de Vorcaro

Ministros também votaram para manter a prisão do cunhado do banqueiro

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para manter a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no escândalo envolvendo o Banco Master. O julgamento ocorre no plenário virtual do colegiado e já registra três votos favoráveis à manutenção da detenção.

Ainda resta o voto do ministro Gilmar Mendes, que tem prazo até o dia 20 de março para se manifestar. Até o momento, votaram pela manutenção da prisão os ministros André Mendonça, relator do caso, Luiz Fux e Kássio Nunes Marques.

A decisão também mantém presos o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e o policial aposentado Marilson Roseno. Os três foram detidos durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal no início do mês.

O ministro Dias Toffoli declarou-se suspeito para participar do julgamento, o que reduziu o número de votantes para quatro. Havia expectativa entre aliados do banqueiro de que o resultado pudesse terminar empatado, situação que poderia beneficiar a defesa, já que o regimento do STF prevê decisão favorável ao investigado em caso de empate. Com a maioria formada pela manutenção da prisão, essa possibilidade foi afastada.

Nos bastidores, pessoas próximas a Vorcaro avaliavam que poderia haver divisão entre os ministros quanto à necessidade da prisão preventiva. A aposta era de que parte do colegiado poderia defender a substituição da prisão por medidas cautelares menos rígidas, como a prisão domiciliar — hipótese que, até agora, não se confirmou.

Com a decisão consolidando a manutenção da prisão, lideranças do chamado Centrão passaram a demonstrar preocupação com os desdobramentos do caso. Nos bastidores de Brasília, cresce o receio de que Daniel Vorcaro opte por negociar um acordo de delação premiada, o que poderia ampliar o alcance das investigações e atingir figuras relevantes do meio político e empresarial.

A possibilidade de colaboração premiada já começou a ser discutida. A Procuradoria-Geral da República (PGR) iniciou conversas preliminares com a defesa do banqueiro, embora as tratativas ainda estejam em estágio inicial.

A prisão foi decretada após a Polícia Federal identificar mensagens trocadas em um grupo de WhatsApp utilizado por Vorcaro e auxiliares para monitorar e intimidar adversários. Entre os alvos citados nas investigações aparece o jornalista Lauro Jardim. Os investigadores também apontaram que um dos integrantes do grupo, Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, teria acessado sistemas oficiais para obter informações sigilosas.

Mourão chegou a ser preso durante a operação, mas morreu dentro da carceragem da Polícia Federal em Belo Horizonte, em circunstâncias que ainda são objeto de apuração.