Sóstenes Cavalcante reforça ofensiva golpista e articula anistia a Bolsonaro no Congresso

Deputado bolsonarista intensifica ataques às instituições, defende anistia a Bolsonaro e reforça alinhamento com a ala radical do governo anterior.

O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) voltou a usar as redes sociais para alimentar o discurso bolsonarista de enfrentamento ao Congresso e ao Judiciário. Em publicação no X (antigo Twitter), ele escreveu: "Mais uma semana partimos para Brasília, deixando filhos, esposas e famílias, sem saber o que nos espera, mas levando na mala a missão de lutar por um país justo. Nossa luta não é contra carne nem sangue, é contra um sistema corrupto que tenta sequestrar o destino do Brasil. E eu declaro: não recuaremos!"

A mensagem, carregada de retórica beligerante, revela a disposição do parlamentar — e do núcleo mais radical do bolsonarismo — de manter ações com viés golpista no Congresso Nacional. Longe de se tratar de uma mobilização pelo país ou por aqueles que foram presos após os atos de 8 de janeiro, Sóstenes atua como um dos articuladores de bastidores pela aprovação de uma anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentar um golpe de Estado, do qual o próprio deputado foi conivente politicamente.

Em outro trecho da publicação, Sóstenes afirmou: "Mandato não é Big Brother, com paredão de eliminação. Mandato é voz do povo, respaldada pela Constituição. Respeitem o Parlamento. Respeitem a Constituição. Respeitem o Brasil. E lembrem-se: a verdade pode ser atacada, mas jamais será vencida." A declaração contrasta com sua própria conduta: o parlamentar liderou motins no Legislativo, desrespeitando o Regimento da Câmara e agindo para proteger Bolsonaro e o grupo político que lhe deu sustentação, em vez de atuar em defesa da população mais pobre do país.

Oriundo da influência política de Jair Bolsonaro e do pastor Silas Malafaia, Sóstenes Cavalcante construiu sua trajetória na Câmara com apoio direto desse círculo. É apontado por críticos como exemplo de parlamentar que ascendeu mais pelo lobby religioso e político do que por méritos próprios. Sua presença no cenário nacional, avaliam analistas, está diretamente atrelada ao respaldo de seus padrinhos políticos — e pode perder força tão logo esse apoio seja retirado.