Silêncio da Globo sobre Thiago Ávila expõe lado da emissora e reforça alinhamento com Netanyahu

Mesmo diante da enorme repercussão internacional do caso, o Jornal Nacional preferiu fingir que nada aconteceu

O silêncio do Jornal Nacional sobre a volta ao Brasil do ativista pró-Palestina Thiago Ávila expôs mais do que uma decisão editorial. Escancarou uma posição política. O principal telejornal da Rede Globo ignorou completamente um dos temas internacionais mais debatidos do momento: o retorno de um brasileiro que ganhou projeção mundial ao denunciar a ofensiva de Israel contra o povo palestino e atuar em defesa humanitária na Faixa de Gaza.

Thiago Ávila desembarcou no Brasil ontem, após semanas de repercussão internacional envolvendo sua atuação em defesa da Palestina. O ativista brasileiro vinha denunciando publicamente o massacre de civis palestinos, especialmente mulheres e crianças, em meio à guerra conduzida pelo governo de Benjamin Netanyahu.

Mesmo diante da enorme repercussão internacional do caso, o Jornal Nacional preferiu fingir que nada aconteceu. Nenhuma nota. Nenhuma reportagem. Nenhuma contextualização. Nada. O telejornal de maior audiência do país simplesmente apagou um fato jornalístico evidente do debate público brasileiro.

E isso não é um detalhe. É uma escolha.

Ao ignorar deliberadamente a volta de Thiago Ávila ao Brasil, a Globo reforça a percepção de alinhamento histórico com a narrativa do governo israelense. Em um momento em que organizações internacionais, universidades, entidades de direitos humanos e milhões de pessoas ao redor do mundo denunciam crimes humanitários na Palestina, o silêncio da emissora soa como cumplicidade política e ideológica.

Thiago Ávila não é um personagem qualquer. O ativista brasileiro se tornou conhecido internacionalmente por sua atuação em pautas sociais, ambientais e humanitárias. Nos últimos anos, passou a dedicar grande parte de sua militância à denúncia da violência sofrida pelo povo palestino, participando de missões internacionais, debates públicos e campanhas humanitárias em defesa do cessar-fogo e do reconhecimento dos direitos do povo palestino.

O mínimo que se espera de um veículo que se apresenta como referência em jornalismo é que trate fatos relevantes com responsabilidade e pluralidade. O retorno ao Brasil de um ativista internacionalmente conhecido, após mobilizações e repercussão global, é claramente notícia. Ignorar esse fato não é jornalismo. É posicionamento político.

A ausência do tema no Jornal Nacional revela uma linha editorial cada vez mais distante da função básica da imprensa: informar. Quando um telejornal escolhe ocultar determinados acontecimentos por conveniência ideológica, deixa de cumprir seu papel público e passa a atuar como agente político no cenário internacional.

E, nesse caso, do lado errado da história.

Enquanto milhares de palestinos seguem morrendo sob bombardeios, enquanto crianças aparecem soterradas em escombros e hospitais são destruídos, o silêncio seletivo da grande mídia brasileira se torna ensurdecedor. A Globo não apenas evitou discutir a fundo o caso Thiago Ávila. Evitou discutir a própria tragédia humanitária em sua dimensão real.

Ao esconder um fato de interesse público, o Jornal Nacional não protege a imparcialidade. Protege uma narrativa. E uma imprensa que escolhe quais vidas merecem atenção e quais podem ser ignoradas abandona o jornalismo para fazer política internacional travestida de neutralidade.