O jornalista Leonardo Sakamoto publicou no UOL um artigo crítico à postura do ministro Dias Toffoli no contexto das investigações envolvendo o Banco Master. No texto, ele avalia que a reação pública de Toffoli contra a Polícia Federal, motivada pela insatisfação com a narrativa de que estaria protegendo interesses do banco, acabou produzindo o efeito contrário ao desejado e ampliou o desgaste do Supremo Tribunal Federal.
Segundo Sakamoto, o ministro acreditava estar se defendendo de críticas que considerava injustas, mas a estratégia resultou em uma intensificação das reações negativas, tanto nas redes sociais quanto entre setores da sociedade civil e de instituições públicas. O episódio ocorre, ressalta o colunista, em um momento delicado para o STF, que voltou a ser questionado sobre possíveis conflitos de interesse de seus integrantes, mesmo após ter desempenhado papel central no enfrentamento da tentativa de ruptura democrática no país.
O jornalista observa que, diante desse cenário, seria esperado maior cuidado institucional para evitar uma crise de imagem. No entanto, aponta uma sequência de decisões atribuídas a Toffoli — como o sigilo imposto ao processo do Banco Master, entraves à atuação da Polícia Federal na análise de aparelhos apreendidos, críticas formais ao órgão investigador e até a exposição de relações pessoais inadequadas — que indicariam pouca preocupação com os impactos públicos de suas ações.
Para ilustrar sua análise, Sakamoto recorre a uma metáfora cultural, destacando que o ministro pareceria mais incomodado com a atuação da Polícia Federal — comparada à “rede” — do que com o próprio banco investigado e seus dirigentes, associados a práticas que teriam causado prejuízos expressivos a correntistas, servidores públicos e ao sistema financeiro.
O colunista ressalta que nem a Polícia Federal nem o Banco Central estão acima da lei e que não se trata de criar heróis institucionais. Ainda assim, defende que, no atual contexto, a PF precisa de respaldo para conduzir as investigações, diante da pressão política e do risco de acordos que esvaziem a responsabilização dos envolvidos. Ele alerta, inclusive, para o potencial explosivo de uma eventual delação premiada, capaz de atingir amplos setores do poder político e econômico.
Sakamoto conclui que o desgaste de Toffoli não foi provocado pela Polícia Federal, mas pelas próprias atitudes do ministro. Lembra ainda que o timing das operações policiais é definido por critérios técnicos e estratégicos, não por ordens políticas. Para o jornalista, o Supremo pode escolher o tom de sua atuação pública, mas não pode se dar ao luxo de ignorar o foco central das investigações. Caso contrário, corre o risco de comprometer seu legado histórico.
Por fim, o artigo sustenta que, se quiser preservar o capital político acumulado ao barrar uma tentativa de golpe, o STF precisará reafirmar que ninguém está acima da lei. Para Sakamoto, autoridade institucional não se consolida com reprimendas públicas, mas com a garantia de que investigações alcancem todos os responsáveis, independentemente de poder, influência ou proximidade com a cúpula do Estado.