Samara Felippo e Luana Piovani cobram justiça para Lucas Terra

O crime chocou o país pela extrema crueldade e pelo envolvimento de líderes religiosos da Igreja Universal do Reino de Deus

O Caso Lucas Terra refere-se ao brutal assassinato do adolescente Lucas Vargas Terra, de 14 anos, ocorrido em 21 de março de 2001, em Salvador, Bahia. O crime chocou o país pela extrema crueldade e pelo envolvimento de líderes religiosos da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), templo que o jovem frequentava.

O Crime e a Motivação

Lucas Terra era um jovem devoto e atuava como obreiro na igreja no bairro do Rio Vermelho. Na noite do crime, ele avisou ao pai que ficaria no templo para uma noite de orações. Segundo as investigações posteriores e depoimentos judiciais, Lucas teria flagrado os pastores Joel Miranda e Fernando Aparecido da Silva mantendo relações sexuais dentro da igreja.

Para silenciar o garoto, os religiosos o agrediram. Lucas foi violentado sexualmente, torturado e queimado vivo dentro de uma caixa de madeira. Seu corpo foi posteriormente abandonado em um terreno baldio na Avenida Vasco da Gama, com cerca de 80% da estrutura carbonizada.

A Investigação e a Primeira Condenação

Inicialmente, as suspeitas recaíram sobre o pastor auxiliar Silvio Roberto Galiza, que foi a última pessoa vista acompanhando Lucas no dia do desaparecimento.

• Em 2004, Galiza foi julgado e condenado a 18 anos de prisão por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Ele cumpriu parte da pena e obteve liberdade condicional anos depois.

• Em 2006, enquanto estava preso, Galiza decidiu quebrar o silêncio e fez uma delação premiada, denunciando que os reais mentores e executores do crime teriam sido o pastor Joel Miranda e o bispo Fernando Aparecido da Silva.

A Longa Batalha Judicial

A denúncia contra Joel e Fernando deu início a uma complexa disputa jurídica que se arrastou por mais de duas décadas. Em 2013, uma juíza de Salvador chegou a impronunciar os pastores por considerar que faltavam provas técnicas além da palavra de Galiza. O Ministério Público e a família de Lucas recorreram incansavelmente. O caso subiu até o Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que a dupla deveria sim enfrentar o júri popular.

Durante todo esse processo, o pai de Lucas, José Carlos Terra, dedicou a vida a cobrar justiça, participando de protestos e mobilizações, mas infelizmente faleceu em 2019 sem ver o desfecho do caso. A mãe de Lucas, Marion Terra, seguiu liderando a causa.

O Desfecho e as Condenações Recentes

• Em abril de 2023, após 22 anos do assassinato, o júri popular condenou os pastores Joel Miranda e Fernando Aparecido da Silva a 21 anos de prisão em regime fechado por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima). Eles receberam o direito de recorrer da sentença em liberdade.

• Em março de 2026, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) manteve a condenação dos dois pastores de forma unânime ao rejeitar os recursos apresentados pela defesa. A família de Lucas segue batalhando judicialmente pela expedição imediata dos mandados de prisão para o início do cumprimento da pena.

Ao longo dos anos, a busca por justiça para Lucas Terra também recebeu o apoio explícito de artistas que ajudaram a dar visibilidade nacional ao caso. Entre elas destacam-se a atriz Samara Felippo e a atriz Luana Piovani, que utilizaram suas redes sociais e espaços públicos de manifestação para cobrar responsabilização dos condenados e apoiar a luta da família Terra.

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