Saiba por que Moraes não bloqueia as redes de Eduardo Bolsonaro

Eduardo Bolsonaro segue ativo nas redes, apesar de restrições impostas ao pai por pressão contra o Judiciário.

As medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), contra integrantes da família Bolsonaro têm gerado questionamentos entre juristas e políticos, devido a uma aparente contradição. Enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está proibido de usar redes sociais, seu filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP) segue postando livremente, apesar de ser apontado pelo próprio STF como figura central na ofensiva internacional contra o Judiciário brasileiro. As informações são de Malu Gaspar, do jornal O Globo.

As restrições aplicadas a Jair Bolsonaro incluíram o uso de tornozeleira eletrônica, o veto à comunicação com Eduardo e a proibição de se manifestar nas redes sociais. Já Eduardo teve apenas suas contas bancárias bloqueadas, mantendo ativa sua campanha digital por sanções internacionais contra o STF — campanha que recentemente levou à inclusão de Moraes na lista Magnitsky dos Estados Unidos, na última quarta-feira (30).

A disparidade nas medidas levou à pergunta que tem circulado entre ministros do STF e especialistas em direito constitucional: “Por que as redes sociais de Eduardo não foram bloqueadas também?”

O ministro Moraes justificou as restrições ao ex-presidente citando postagens sobre o “tarifaço” de Trump e ameaças ao STF, alegando que tais conteúdos comprometem o andamento das investigações e incentivam atos hostis contra o Brasil.

Duas hipóteses principais surgem para explicar essa aparente inconsistência:

  1. Cálculo estratégico – Juristas avaliam que Moraes pode ter evitado impor uma ordem que Eduardo, fora do país, provavelmente descumpriria, o que causaria desgaste institucional ao STF. Casos anteriores, como o do blogueiro Allan dos Santos, mostram a dificuldade de fazer valer decisões judiciais em plataformas controladas por empresas estrangeiras, como o X, de Elon Musk.

  2. Prevenção de vitimização política – Outra linha de análise é que bloquear Eduardo reforçaria o discurso de perseguição política, frequentemente utilizado por bolsonaristas em interlocuções com autoridades norte-americanas. Um ministro do STF ouvido pela reportagem confirmou essa preocupação.

O inquérito que apura o caso atribui a Eduardo um papel-chave na articulação internacional contra o Judiciário. Há registros de transferências que somam R$ 2 milhões feitas por Jair Bolsonaro para financiar a estadia do filho nos EUA. A Polícia Federal destacou que o deputado passou a publicar conteúdos em inglês com o objetivo de influenciar a opinião pública estrangeira e interferir nas investigações em curso.

Apesar disso, Eduardo segue ativo nas redes e mantém um discurso desafiador. “A ofensiva só cessará com anistia ampla para bolsonaristas”, afirmou. O paradoxo permanece: o filho continua a fazer justamente o que levou o pai a ser silenciado.