Ronaldinho Gaúcho teve imóveis usados pelo Master para captação de R$ 330 milhões

Defesa do jogador e sócios dizem que negócio imobiliário nunca prosperou por dívidas de IPTU

Investigações apontam que terrenos de Ronaldinho Gaúcho, em Porto Alegre, foram usados sem autorização como garantia para a captação de R$ 330 milhões pelo Banco Master. A operação, via CRI, integra apurações sobre manobras financeiras atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, com foco em inflar indicadores da instituição.

O que aconteceu

As apurações sobre manobras financeiras atribuídas a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, avançaram além da Faria Lima e chegaram ao Rio Grande do Sul. Segundo reportagem do jornal O Globo, dois terrenos pertencentes a Ronaldinho Gaúcho, em Porto Alegre, foram usados como lastro para a emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), permitindo a captação de R$ 330 milhões no mercado financeiro. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado.

Os CRIs funcionam como instrumentos de financiamento imobiliário, nos quais investidores antecipam recursos e recebem juros após a execução dos projetos. Contudo, de acordo com o Ministério Público Federal, Vorcaro utilizava esse mecanismo para captar recursos e, em vez de destiná-los a empréstimos imobiliários, os realocava em títulos do próprio banco ou em fundos ligados à instituição e à gestora Reag, também liquidada pelo BC.

No caso envolvendo Ronaldinho, a Base Securitizadora teria incluído os terrenos como garantia em agosto de 2023, sem o consentimento do ex-jogador, para beneficiar a S&J Consultoria. Advogados do atleta e empresas envolvidas afirmam que os empreendimentos não avançaram por falta de licenças ambientais e pendências de IPTU, além de desacordos comerciais.

Paralelamente, Vorcaro solicitou à CPMI do INSS o adiamento de seu depoimento, alegando prazo insuficiente para a defesa e pedindo que a oitiva ocorra de forma híbrida. Ele será ouvido como testemunha, após requerimento do relator Alfredo Gaspar, com base em documentos que apontam o Banco Master entre as instituições mais reclamadas por beneficiários do INSS.