O Republicanos decidiu lançar o senador Cleitinho Azevedo como candidato ao governo de Minas Gerais nas eleições de 2026, encerrando uma sequência de desistência, pedido público para voltar à disputa, negativa da direção nacional e, finalmente, uma nova mudança de posição do partido.
A definição ocorreu após uma reunião entre Cleitinho Azevedo, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, e o presidente estadual da legenda em Minas Gerais, deputado federal Euclydes Pettersen. O encontro aconteceu em São Paulo.
Com a decisão, o ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão (Republicanos) será candidato a vice-governador na chapa de Cleitinho. Durante o período em que o senador esteve fora da disputa, Falcão chegou a ser cotado para concorrer ao Palácio Tiradentes.
Articulação provocou reviravolta no Republicanos
Segundo informações do UOL, Euclydes Pettersen teve papel decisivo na retomada da candidatura. O dirigente mineiro atuou como interlocutor entre Cleitinho e Marcos Pereira e ajudou a construir o acordo que permitiu ao senador voltar à corrida eleitoral.
A situação representa uma reviravolta especialmente porque, poucos dias antes, a direção nacional do Republicanos havia rejeitado publicamente a possibilidade de Cleitinho disputar o governo.
O diretório estadual também divulgou um vídeo no qual o advogado Raimundo Neto explicou que ainda existia possibilidade jurídica de lançar Cleitinho, mesmo depois do encerramento do prazo das convenções partidárias.
Segundo ele, a questão jurídica estava resolvida e faltava apenas um entendimento político.
Cleitinho desistiu, voltou atrás e pediu candidatura
A novela começou na segunda-feira, quando Cleitinho Azevedo anunciou que não seria candidato ao governo de Minas Gerais. Em um vídeo ao lado de Marcos Pereira e Euclydes Pettersen, o senador apareceu emocionado ao falar sobre o momento pessoal vivido após a morte do irmão, Matheus Azevedo, em 18 de julho.
Um dia depois, porém, Cleitinho voltou atrás.
Durante a convenção nacional do Republicanos, em Brasília, o senador pegou o microfone e fez um apelo público para que Marcos Pereira autorizasse sua candidatura.
“Eu quero ser candidato a governador e eu peço humildemente ao presidente que me dê essa vaga. Eu não vou decepcionar o partido”, afirmou.
Cleitinho também explicou que estava em um momento de vulnerabilidade quando havia anunciado a desistência.
“Quem que nunca foi e voltou? Quem que nunca teve equívoco? Quem que nunca errou que levante a mão, por favor”, declarou.
Marcos Pereira havia chamado decisão de “irresponsável”
A reação de Marcos Pereira foi imediata. Naquele momento, o presidente nacional do Republicanos rejeitou o pedido do senador e afirmou que a decisão já estava tomada.
Pereira chegou a classificar como “irresponsável” a tentativa de Cleitinho de retomar a candidatura ao governo mineiro.
Poucos dias depois, porém, o próprio partido mudou novamente de posição e confirmou Cleitinho na disputa.
Como Cleitinho ainda pode ser candidato?
O movimento ocorre dentro do calendário eleitoral. Os candidatos às eleições de 2026 devem ser registrados na Justiça Eleitoral até 15 de agosto.
Embora o prazo para realização das convenções partidárias tenha terminado em 5 de agosto, os partidos podem deixar determinadas decisões sobre suas chapas para serem tomadas posteriormente pelas Executivas, desde que exista autorização para isso.
Foi justamente essa possibilidade que abriu caminho para o Republicanos resolver o impasse e confirmar a candidatura de Cleitinho.
Com a decisão, Cleitinho Azevedo retorna oficialmente à corrida pelo governo de Minas Gerais, protagonizando uma das maiores reviravoltas da fase de definição das candidaturas para as eleições de 2026.
Em questão de poucos dias, o senador passou da desistência à tentativa de retorno, ouviu uma negativa pública do presidente do próprio partido e, finalmente, conseguiu o aval para disputar o Palácio Tiradentes.