REI MORTO, REI POSTO: Ciro Nogueira e Rueda rifam família Bolsonaro

Jantar com presidenciáveis da direita marca ofensiva por uma terceira via, enquanto filhos de Bolsonaro atacam possíveis alianças e rivais no campo conservador.

Após a oficialização da federação entre PP e União Brasil, que acontece em meio à convenção partidária marcada para esta terça-feira (19) no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, os presidentes das duas siglas, Ciro Nogueira (PP-PI) e Antônio Rueda (União), convidaram governadores de direita, incluindo os "presidenciáveis" para um jantar onde devem discutir os rumos de 2026. Com Jair Bolsonaro (PL) em prisão domiciliar, nenhum representante do clã do ex-presidente foi colocado na lista de notáveis do convescote.

As tratativas da direita em torno das eleições 2026, se aproximando do projeto da chamada terceira via - que reúne ainda mídia liberal e Faria Lima -, tem irritado o clã Bolsonaro e provocou uma reação destemperada dos filhos Carlos Bolsonaro (PL-RJ) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que classificaram Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), de São Paulo; Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais; Ronaldo Caiado (União), de Goiás; Ratinho Jr (PSD), do Paraná; e Eduardo Leite (PSD), do Rio Grande do Sul, como "ratos".

"Fingem que vão resolver algo, falam em indulto para os perseguidos da falsa 'trama golpista', mas depois se escondem atrás da 'prudência e sofisticação técnica', lavam as mãos e seguem seus governos como se nada tivesse acontecido. Alegam ter feito sua parte, mas não passam de cúmplices covardes.  A verdade é dura: todos vocês se comportam como ratos, sacrificam o povo pelo poder e não são em nada diferentes dos petistas que dizem combater", escreveu Carlos Bolsonaro em longo texto nas redes, compartilhado por Eduardo, que conspira contra o Brasil dos EUA.

Além dos cinco "presidenciáveis", a federação União/PP convidou também Ibaneis Rocha (MDB), do Distrito Federal; Eduardo Riedel (PSDB), do Mato Grosso do Sul; e Mauro Mendes (União), de Mato Grosso.

No jantar, Nogueira e Rueda vão provocar o debate sobre o efeito Bolívia, que tem dois candidatos de direita no segundo turno após décadas de domínio do partido Movimento ao Socialismo (MAS) no poder, nas eleições presidenciais do Brasil.

Em publicação nas redes nesta segunda-feira (18), os dois anfitriões falaram do tema, que deve nortear os debates com os governadores da direita.

"A Bolívia, que tem eleições livres, ao contrário da Venezuela, tirou a esquerda do poder. O PT boliviano perdeu no voto popular e nem pro 2º turno foi. A Bolívia é o Brasil em 2026, vai se deslulificar finalmente. Fim de linha", escreveu Nogueira.

"O resultado parcial da eleição boliviana abre, desde já, espaço para estabilidade e moderação, importantíssimos para a recuperação econômica do país, rumo pelo qual, acreditamos, o Brasil também irá optar em 2026", emendou Rueda.

Desembarque do governo

Antes do jantar para discutir o futuro, a oficialização da federação União e PP - que terá a maior bancada na Câmara, com 109 deputados, além de 15 senadores - vai focar no presente, especialmente na relação com o governo Lula, alvo de ataques covardes de Ciro Nogueira e Rueda.

Os presidentes das duas siglas vão entrar num embate com governistas dos dois partidos, que se recusam a deixar o ministério e as autarquias. 

A resistência vem principalmente do União Brasil e é capitaneada pelo ministro Waldez Góes (Integração Nacional), que já no segundo turno das eleições de 2022 anunciou apoio a Lula na disputa contra Bolsonaro.

Além de Góes, o União comanda outros dois ministérios com Celso Sabino (Turismo) e Frederico de Siqueira Filho (Comunicações), que também não têm pretensão de deixar o governo.

Além disso, o partido tem Davi Alcolumbre (União-AP) na Presidência do Senado. Alcolumbre mantém uma boa relação com Lula e comanda um dos principais espólios do Centrão, a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), autarquia que foi turbinada com emendas parlamentares - e que é alvo de investigações por supostos esquemas de corrupção ligados aos partidos.

Já o PP comanda o Ministério do Esporte, com André Fufuca, uma figura sem grandes poderes na sigla, comandada a mão de ferro por Nogueira que tem Arthur Lira (PP-AL) como fiel escudeiro.

Fufuca tem sido pressionado por Nogueira para deixar o governo, que teria dado prazo até 19 de setembro para pedir demissão - ou será expulso da sigla.