Rafael Fonteles e David Capistrano: o legado da gestão pública que inspira o país

O governador se destaca como gestor competente e visionário em entrevista nacional, lembrando grandes nomes da política pública brasileira

Por José Salan Barbosa Melo, engenheiro e ex presidente da Eletrobras Piauí


O Governador Rafael Fonteles concedeu uma entrevista ao Programa Canal Livre da TV Bandeirantes no último dia 01 de fevereiro. Ocasião em que ele teve a oportunidade de se apresentar de corpo inteiro para o Brasil. Diferente da entrevista para o programa Roda Viva da TV Cultura, em abril de 2025, quando os entrevistadores concentraram suas perguntas em pautas puramente ideológicas da direita e em polêmicas desnecessárias e desinteressantes para o grande público, sempre  com o fito de criarem situações embaraçosas para o entrevistado; com isso, a emissora perdeu uma ótima oportunidade de fazer um grande programa sobre o trabalho, os projetos e o pensamento de Rafael Fonteles sobre o Piauí, sobre o Brasil e a sociedade.

A entrevista do Canal Livre foi muito diferente, para ela, os jornalistas se prepararam para perguntas sobre o trabalho e o desempenho do governante no comando do Estado do Piauí. Também exploraram temas nacionais e da política, como economia, desenvolvimento, segurança pública e outros. Os quais respondeu a todos, sem titubear ou tergiversar, sempre com resposta precisas.

A grande mídia nacional, há tempos levanta questionamentos e dúvidas sobre a capacidade dos políticos do PT em sucederem politicamente o Presidente Lula e, com frequência, enaltece a capacidade da direita em criar novos quadros. Para eles, a esquerda não tem quadros políticos  nacionais novos e preparados. 

Mesmo o atual Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, com larga experiência de governo, já foi Ministro da Educação, o mais bem sucedido de todos; foi um dos melhores prefeitos da maior cidade do Brasil e faz um extraordinário trabalho no Ministério da Fazenda. Em todas essas funções Haddad teve  excelente desempenho, com muito brilhantismo, ética e decência. Para a grande mídia, nada disso o torna capacitado como político de envergadura nacional. Esse é o comportamento dessa mídia com muitos outros líderes da esquerda, também com experiência e estatura para ocuparem qualquer posto de destaque nacional.

Claro, não surgirá outro Lula, o Brasil só produziu este. Lula é fruto de um momento histórico e político do Brasil, que não se repetirá; é fruto  da pobreza, da exploração, da discriminação, da Luta e da falta de esperança do povo; acima de tudo, Lula é fruto de sua capacidade e de sua sensibilidade. 

No Canal Livre, Rafael Fonteles demonstrou que entende muito sobre o funcionamento da máquina pública do Estado, tem um grande conhecimento economia e das leis; formula propostas  inteligentes e consistentes para várias áreas da política pública e fala com propriedade e riqueza de detalhes de todos os projetos e de todas as áreas de seu governo.

É muito salutar ver um político com conhecimento e domínio da coisa pública e de todos os temas que lhes dizem respeito, principalmente quando nos deparamos hoje na cena nacional diante de representantes que se elegeram pelas forças das redes sociais e desconhecem o papel que estão desempenhando e a realidade de quem estão representando.

Assistindo a esta entrevista de Rafael Fonteles lembrei muito outro político que conheci e com quem tive o privilégio de trabalhar, que foi David Capistrano Filho, ex-prefeito de Santos, SP, na década de 1990.

David Capistrano era médico sanitarista e profundo conhecedor e pensador de política de saúde pública, um obcecado pela implantação de um sistema de saúde pública no Brasil. Foi, ao lado de Adib Jatene os principais formuladores do projeto SUS; contribuiu para a política nacional de saúde pública com projetos políticos dos mais importantes que possuímos hoje. Sua valiosa contribuição não foi só teórica, nas reuniões ou debates com especialistas, mas também aconteceu na prática e na implantação de vários programas, no contato com profissionais de saúde de todas as áreas e funções e também no contato direto com a população. Foi o principal quadro da esquerda brasileira na área da saúde.

Em Santos, Capistrano, foi Secretário de Saúde e Prefeito, em um período de 8 anos, época em que a cidade foi o principal laboratório  para a gestação do SUS em diversos serviços públicos de saúde, onde apareceram e funcionaram pela primeira vez e só depois foram absorvidos em outros cantos do país.

O combate à AIDS foi um dos maiores exemplos. Em Santos, pela grande incidência de pessoas contaminados com o vírus da AIDS, no auge da doença, a cidade ficou conhecida como capital da AIDS. Quando assumiu a Secretaria de Saúde do município, Capistrano criou clínicas especiais de atendimento para portadores da doença. Foi o primeiro lugar no Brasil a distribuir seringas e camisinhas para coibir a transmissão do vírus e humanizou o atendimento. Santos e foi o primeiro lugar no Brasil a distribuir o coquetel de medicamentos para o tratamento da AIDS, gratuitamente. 

Mostrou para todo o Brasil os horrores a que estavam submetidos os doentes mentais da cidade, internados na Casa de Saúde Anchieta, um hospital psiquiátrico privado que tinha cerca de 600 pessoas internadas em estado deplorável recebendo um tratamento completamente desumano, sofrendo maus tratos, eletrochoques e toda sorte de torturas. Esse hospital sofreu intervenção municipal, teve suas portas abertas e a Prefeitura assumiu seus serviços e ali nasceram os NAPS – Núcleo de Assistência Psicossocial e nasceu também uma luta nacional contra os manicômios.

Criou uma rede de Policlínicas na cidade com atendimentos de alta qualidade, onde, na época, já havia atendimento médico com hora marcada. Criou também atendimento e internação domiciliar. 

David Capistrano liderou, junto com Adib Jatene no Governo de Mário Covas, em São Paulo a implantação de um Programa de Saúde da Família, mais tarde o modelo foi espalhado nacionalmente. 

Foi o Assessor, por trás do Ministro da Saúde, do economista José Serra, na concepção de vários programas de destaque, como a quebra de patentes, a qual sempre defendeu, e que deu origem à política dos “genéricos”; aprimorou e deu nova vida ao Programa de Saúde da Família, PSF, e trabalhou na criação de um Programa Nacional de combate à AIDS. 

Rafael Fonteles e David Capistrano sempre tiveram uma inteligência privilegiada e acima do normal, sempre muito estudiosos e ousados. Em seus cargos públicos não aceitam ou aprovam qualquer projeto sem antes entenderem todas as razões, motivos e principalmente sua viabilidade técnica, pois dissecam os projetos antes de darem seu aval. O pensamento deles sempre anda bem à frente das demais pessoas e tem uma perspicácia de visionário. São donos de atribuírem a seus governos metas que avaliamos inatingíveis. Um e outro, depois de definirem e aprovarem um projeto ou um programa como prioritário, nunca aceitam barreiras ou empecilhos como argumentos para a não continuidade e  só se contentam com a conclusão bem feita do objeto. Burocracia e empecilhos nunca são justificativas para a não realização dos trabalhos. Ambos, desde o começo de suas gestões, trabalharam com o propósito de fazerem o melhor governo do Brasil, cada um em seu âmbito, e serem referência nacional em todas as áreas de suas gestões. 

Os dois, duas potentes usinas de trabalho em permanente funcionamento. Difícil mesmo é para os auxiliares mais próximos suportarem o ritmo de trabalho dos dois.

David, além da carga monumental de trabalho que se atribuía, teve que combater uma leucemia por muitos anos e morreu precocemente em 2000, sem ver a grandeza do SUS, a primeira eleição de Lula e de ter tido a oportunidade de ser um grande Ministro da Saúde do Brasil.

Rafel Fonteles, o jovem quadro político nacional, segue perseguindo suas metas ousadas e desafiadoras, quebrando recordes estaduais nos indicadores de melhoria da qualidade de vida da população e brilhando como um estadista em formação.