Quem é o ex-diretor do BC que atuava como “empregado” de Vorcaro

Paulo Sérgio Neves afastado por suspeita de ligação com Banco Master

O economista Paulo Sérgio Neves de Souza, servidor de carreira do Banco Central, foi alvo de buscas da Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que também prendeu Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O STF determinou o afastamento do ex-diretor por indícios de alinhamento com interesses privados.

O que aconteceu

A Polícia Federal cumpriu mandados contra Paulo Sérgio Neves de Souza na quarta-feira (4), no âmbito da Operação Compliance Zero, que também resultou na prisão de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A decisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o afastamento do economista de suas funções no Banco Central.

Na decisão, Mendonça apontou indícios de que Souza teria atuado em sintonia com interesses do banqueiro. Segundo o despacho, mesmo sendo servidor da autarquia, ele teria se tornado uma espécie de “empregado ou consultor” de Vorcaro em assuntos de interesse privado.

Souza é formado em Ciências Econômicas pela PUC e possui MBA executivo em risco pela Fipecafi, ligada à USP. Com mais de 20 anos de carreira no Banco Central, atuou na área de supervisão do sistema financeiro, exercendo funções como supervisor, gerente técnico e chefe de divisão no Departamento de Supervisão Bancária.

Entre 2019 e 2023, durante a presidência de Roberto Campos Neto, comandou a Diretoria de Fiscalização. Nesse período, assinou a autorização para a compra do Banco Máxima por Vorcaro, operação que deu origem ao Banco Master.

As investigações apuram se ele teria repassado informações sensíveis sobre fiscalizações e procedimentos internos para beneficiar o banco, além de possível omissão diante de irregularidades apontadas desde 2018. A operação também alcançou Bellini Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária.