Quem é a primeira mulher a virar general no Brasil

Indicação inédita marca avanço histórico feminino na Força

A coronel médica Cláudia Lima Gusmão Cacho pode se tornar a primeira mulher a alcançar o posto de oficial-general no Exército Brasileiro, caso sua indicação seja confirmada pelo presidente Lula. A decisão representa um marco nos quase 400 anos da instituição e reforça o avanço da presença feminina na Força.

O que aconteceu

A coronel médica Cláudia Lima Gusmão Cacho está prestes a entrar para a história do Exército Brasileiro. Com a indicação já aprovada pelo Alto-Comando, ela aguarda a confirmação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para se tornar a primeira mulher a atingir o posto de oficial-general na instituição.

O feito é simbólico e histórico. O Exército só passou a admitir mulheres em seus quadros permanentes na década de 1990, e a eventual promoção consolida um processo gradual de ampliação da presença feminina na Força ao longo das últimas décadas.

Natural de Recife (PE), Cláudia tem 57 anos e é formada em Medicina pela Universidade de Pernambuco (UPE). Especializou-se em Pediatria no Instituto Materno Infantil de Pernambuco (IMIP), mas direcionou sua carreira principalmente para a gestão hospitalar. Possui pós-graduação em Administração Hospitalar e MBA em Gestão Estratégica de Saúde pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Sua trajetória no Exército começou em 30 de janeiro de 1996, como oficial temporária no 42º Batalhão de Infantaria Motorizada, em Goiânia. Em 1998, concluiu o Curso de Formação de Oficiais Médicos na Escola de Saúde do Exército, consolidando sua carreira na área de saúde militar.

Ao longo dos anos, ocupou funções estratégicas, como chefe do Escalão de Saúde do Comando da 1ª Região Militar, subdiretora de Legislação e Perícias Médicas da Diretoria de Saúde e chefe da Divisão de Perícias Médicas da Inspetoria de Saúde do Comando Militar do Nordeste.

Também exerceu funções de comando em unidades hospitalares de grande relevância, incluindo o Hospital de Guarnição de Natal e o Hospital Militar de Área de Campo Grande. Mais recentemente, atuou como subdiretora técnica do Hospital Central do Exército, no Rio de Janeiro, desempenhando papel central na gestão da unidade.

Durante sua carreira, recebeu diversas condecorações, entre elas a Medalha Militar de Prata, a Medalha do Pacificador, a Medalha Marechal Hermes de Bronze com uma Coroa e a Medalha Marechal Osório – O Legendário. Foi ainda agraciada com a Ordem do Mérito Militar no grau de Oficial e com o Distintivo de Comando Dourado, reconhecimentos que evidenciam a relevância de sua atuação na saúde militar.

A possível promoção ocorre em um momento de ampliação da participação feminina no Exército. Em 2025, a instituição promoveu pela primeira vez mulheres à graduação de subtenente. No mesmo ano, 33.720 mulheres se alistaram, e outras 1.010 foram incorporadas em março de 2026, reforçando o crescimento da presença feminina na corporação.