Uma das coisas que mais aprecio na vida é ouvir uma boa música. E quando falo em “boa música”, não me refiro a rótulos — se é clássica, popular ou brega. Boa música é aquela que chega ao coração, mexe com a mente e emociona por algum motivo especial, seja pela melodia, pela letra ou pelo momento em que a ouvimos.
Foi assim, navegando pela internet, que conheci o Bar do Frazão, esse espaço que se apresenta no Instagram com simplicidade e autenticidade. Descobri, através do Diário do Nordeste, que ele existe há mais de 40 anos, em Fortaleza/Ceará, fundado por Antônio José Alves Frazão, natural de Mulungu, no Maciço de Baturité. Frazão herdou do pai e dos irmãos o tino para o comércio e transformou a antiga bodega de bairro — onde se vendiam arroz, feijão, café, biscoito e até lamparina — em um ponto de encontro da boemia de Fortaleza.
Frazão, hoje com 67 anos, costuma atender invariavelmente sem camisa. Quando aparece vestido, os frequentadores estranham. Mas a verdadeira marca do lugar não está nisso, e sim no ambiente que ele conseguiu criar. Entre prateleiras abarrotadas de mantimentos, formou-se uma roda de samba, bossa nova, MPB e até música internacional. Um espaço sem luxo, mas repleto de afeto, memória e descontração.
A fama do bar se espalhou depois que um vídeo no TikTok viralizou. A partir daí, gente de várias cidades do Brasil passou a aparecer por lá. Ainda assim, os frequentadores antigos garantem: a essência continua intacta. O Bar do Frazão segue sendo um recanto onde espontaneidade, amizade e música se misturam a um clima de interior.
Um dia ainda pretendo conhecer esse lugar. Está no meu roteiro. Talvez o “bar” seja mesmo uma invenção tipicamente brasileira: um espaço que junta gente de todos os tipos, rico e pobre, unidos pela música e pela boa conversa. Aqui em Teresina, o meu ponto é o Bar do Sandro. Lá não tem a música como no do Frazão, mas tem o que sustenta qualquer botequim de verdade: a amizade e o respeito entre os que frequentam.
Loading...
Loading...
Loading...
Loading...