Fernando Haddad foi oficializado neste sábado (25) como candidato do PT ao Governo de São Paulo durante convenção realizada em Campinas, no interior paulista. O evento reuniu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin, lideranças da base governista e marcou a apresentação da chapa formada pelo ex-governador Márcio França (PSB) como candidato a vice. Também foram homologadas as candidaturas ao Senado da ex-ministra Marina Silva (Rede) e da ex-ministra Simone Tebet (PSB).
A convenção foi marcada por críticas à gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), principalmente em relação às privatizações da Sabesp, do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), além de debates sobre segurança pública, feminicídios, educação, combate às fake news e defesa da democracia.
Haddad critica privatizações e aumento dos feminicídios em São Paulo
Em seu discurso, Fernando Haddad afirmou que as privatizações promovidas pelo governo estadual ocorreram de forma acelerada e sem critérios técnicos adequados.
Segundo o candidato, a venda de empresas públicas estratégicas foi realizada "a toque de caixa" e entregou serviços essenciais a grupos sem experiência nos respectivos setores. Haddad citou como exemplos a privatização da Sabesp, além dos processos envolvendo o Metrô e a CPTM.
Outro tema de destaque foi o crescimento dos casos de feminicídio em São Paulo. Haddad lembrou que, embora o Brasil tenha registrado queda de 2,5% nesse tipo de crime no primeiro semestre de 2026, o estado paulista apresentou aumento de 10,1%, totalizando 129 vítimas no período, conforme dados do Ministério da Justiça.
Lula elogia Haddad e destaca resultados econômicos do governo
Principal liderança presente na convenção, o presidente Lula fez uma defesa enfática da candidatura de Fernando Haddad.
O presidente afirmou que São Paulo tem uma oportunidade histórica de eleger um governador com experiência administrativa e destacou a atuação do petista tanto no Ministério da Educação quanto no Ministério da Fazenda.
Lula classificou Haddad como um dos colaboradores mais leais de sua trajetória política e afirmou que sua biografia "dá de 10 a 0" em relação aos adversários.
O presidente também relacionou os principais indicadores econômicos do governo federal ao trabalho desenvolvido pelo ministro da Fazenda, citando:
- menor inflação acumulada dos últimos quatro anos;
- menor índice de desemprego da série histórica;
- crescimento econômico acima de 3%;
- aumento real do salário mínimo;
- maior renda dos trabalhadores;
- aprovação da reforma tributária;
- ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para os trabalhadores de menor renda.
Lula alerta para uso da inteligência artificial e das fake news
Durante sua fala, Lula também fez um alerta sobre o impacto da inteligência artificial nas eleições de 2026.
Segundo o presidente, adversários políticos poderão recorrer ao uso de ferramentas tecnológicas para produzir desinformação e tentar confundir o eleitorado paulista.
Para Lula, campanhas baseadas em fake news recorrem à mentira por falta de propostas e de histórico administrativo.
Simone Tebet faz críticas a Flávio Bolsonaro e pede diálogo com eleitores de centro
Candidata ao Senado pela chapa governista, Simone Tebet direcionou parte de seu discurso à disputa presidencial.
A ex-ministra afirmou que o Brasil enfrenta, em 2026, desafios semelhantes aos vividos nas eleições anteriores e criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República.
Segundo Tebet, o parlamentar já começou a questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas antes mesmo do resultado da eleição, comportamento que ela associou ao discurso adotado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
A candidata também convocou a militância a ampliar o diálogo com setores moderados da sociedade.
Ela defendeu que a campanha concentre esforços na conquista dos votos de eleitores indecisos, independentes e da direita democrática, afirmando que "não existe eleição ganha antes da votação".
Além disso, Tebet destacou o protagonismo feminino na campanha e declarou que as mulheres terão papel decisivo para uma eventual quarta eleição de Lula à Presidência da República.
Marina Silva critica gestão de Tarcísio e defende serviços públicos
Também candidata ao Senado, Marina Silva concentrou suas críticas na administração estadual.
A ex-ministra afirmou que serviços essenciais não podem ser tratados como mercadorias e classificou a privatização da Sabesp como prejudicial à população paulista.
Marina também criticou a política educacional do governo estadual, argumentando que plataformas digitais não substituem o trabalho dos professores em sala de aula.
Outro tema abordado foi o crescimento da população em situação de rua em São Paulo. Segundo Marina, o aumento da vulnerabilidade social exige políticas públicas voltadas para redução da pobreza e da desigualdade.
Aliança reúne principais lideranças da base governista
A convenção destacou a ampla composição da aliança que disputará as eleições em São Paulo.
Além de Lula, participaram do evento o vice-presidente Geraldo Alckmin, Fernando Haddad, Márcio França, Marina Silva e Simone Tebet.
Durante os discursos, as lideranças reforçaram a defesa da democracia, da soberania nacional, dos direitos humanos, da redução das desigualdades sociais e da preservação dos serviços públicos, apresentando esses temas como eixos centrais da campanha ao Palácio dos Bandeirantes em 2026.