PT tenta se aproximar do arquirrival PSDB. Objetivo: derrotar o extremismo de direita

A articulação política para as eleições de 2026 já movimenta os bastidores em São Paulo e Minas Gerais

A articulação política para as eleições de 2026 já movimenta os bastidores em São Paulo e Minas Gerais, com o Partido dos Trabalhadores (PT) adotando uma estratégia de ampliação de alianças. Em Minas, há conversas envolvendo o senador, Rodrigo Pacheco (PSD), apoiado pelo PT, com a possibilidade de composição ao lado de Aécio Neves (PSDB) na disputa pelo governo estadual.

Já em São Paulo, o foco petista está na construção de uma frente ampla para enfrentar o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, o PT tenta atrair o PSDB para a chapa do ex-ministro Fernando Haddad, abrindo canais de diálogo com lideranças tucanas, especialmente com o ex-prefeito de Santo André, Paulo Serra, pré-candidato ao Palácio dos Bandeirantes.

Estratégia do PT mira frente ampla e isolamento de Tarcísio

A movimentação segue a lógica que levou o ex-governador Geraldo Alckmin, histórico nome do PSDB, à vice-presidência na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, o PT busca repetir esse modelo em São Paulo, estado-chave no cenário eleitoral nacional por concentrar o maior colégio eleitoral do país.

Nos bastidores, dirigentes petistas também sondaram a possibilidade sobre uma possível filiação da ex-ministra do Planejamento Simone Tebet ao PSDB. A articulação, no entanto, não avançou, e Tebet acabou se filiando ao PSB para disputar o Senado por São Paulo.

Resistência tucana e cenário de incerteza

Apesar das investidas, a aproximação entre PT e PSDB enfrenta resistência interna. Lideranças tucanas avaliam a aliança como difícil, devido à histórica rivalidade entre os partidos no estado. Ainda assim, há setores do PT que enxergam espaço para diálogo, diante da perda de protagonismo do PSDB na política paulista.

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas e aliado de Haddad, confirmou a existência das conversas e defendeu a construção de uma coalizão mais ampla. Segundo ele, Haddad busca consolidar uma frente democrática com diferentes forças políticas. O objetivo é derrotar o exgtremismo de direita no Estado e ajudar neste mesmo sentido na eleição nacional.

Por outro lado, integrantes do PSDB consideram mais viável lançar candidatura própria ao governo estadual. Essa estratégia permitiria ao partido preservar identidade política, fortalecer sua base eleitoral e ampliar poder de negociação em um eventual segundo turno.

Base de Tarcísio limita espaço para o PSDB

No campo governista de SP, a composição da chapa de Tarcísio de Freitas tende a restringir o espaço para o PSDB. A tendência é de manutenção de Felício Ramuth (MDB) como vice, além de nomes ligados ao PP e ao PL nas vagas ao Senado. Esse cenário reforça a necessidade de o PSDB buscar alternativas para não ficar à margem da disputa.

Aliados de Tarcísio demonstraram incômodo com a aproximação entre tucanos e petistas, interpretando o movimento como contraditório, já que lideranças do PSDB haviam se reunido recentemente com o governador para discutir estratégias eleitorais.

Disputa aberta no campo de Haddad

Do lado petista, a composição da chapa ainda está em aberto. Permanecem indefinidas a vaga de vice e uma das candidaturas ao Senado, disputada por nomes como Márcio França (PSB) e Marina Silva (Rede). Simone Tebet, por sua vez, é apontada candidata ao senado.

Além do PSDB, Haddad também tenta dialogar com o PSD de Gilberto Kassab, embora o dirigente já tenha declarado apoio a Tarcísio, dificultando qualquer aproximação no momento.

Reconfiguração do cenário político paulista

O movimento revela um redesenho em curso na política paulista. Enquanto o PT busca ampliar seu campo de alianças para além da esquerda tradicional, o PSDB tenta se reposicionar diante da perda de espaço no estado onde foi hegemônico por décadas.

Mais do que uma articulação pontual, as negociações indicam que a disputa pelo governo de São Paulo em 2026 já começou, marcada por rearranjos estratégicos, disputas internas e possíveis mudanças nas tradicionais alianças políticas.