O PT iniciou um mapeamento detalhado dos cenários estaduais para 2026, priorizando negociações regionais e alianças estratégicas. Maranhão, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro concentram as decisões mais sensíveis do partido. Lula deve entrar diretamente nas definições apenas após o Carnaval, quando o quadro político estiver mais consolidado.
O QUE ACONTECEU
O Partido dos Trabalhadores deu início à elaboração de um diagnóstico aprofundado sobre os cenários eleitorais estaduais para a disputa de 2026. O trabalho envolve desde os maiores colégios eleitorais do país até estados considerados politicamente sensíveis, onde a definição de candidaturas depende de negociações complexas e arranjos delicados. De acordo com informações da coluna de Victoria Abel, do SBT News, o Luiz Inácio Lula da Silva pretende discutir pessoalmente os principais nomes e alianças apenas após o Carnaval, quando a cúpula partidária espera ter um quadro mais claro das articulações regionais.
Maranhão concentra tensões e impasses
O Maranhão é tratado internamente como um dos cenários mais delicados para o PT. O partido passou a dialogar com o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), após reavaliar a viabilidade da candidatura do deputado federal Duarte Jr. (PSB), aliado do governador Carlos Brandão. A mudança reflete o desgaste da relação entre o PT e Brandão, intensificado por disputas políticas e desacordos institucionais no estado.
As divergências ficaram evidentes durante a eleição para a presidência da Assembleia Legislativa. Havia um acordo para a recondução de Othelino Neto (PCdoB), aliado do então governador Flávio Dino, mas Brandão decidiu apoiar Iracema Vale (PSB), que saiu vencedora. Posteriormente, ela conduziu a indicação de Daniel Brandão, irmão do governador, para uma vaga vitalícia no Tribunal de Contas do Estado. Nos bastidores, um dirigente petista resume a avaliação interna: a leitura é de que Brandão busca, na prática, um terceiro mandato indireto no comando político do estado.
São Paulo, Minas e Rio no centro da estratégia
Em São Paulo, o PT segue disposto a insistir no nome do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como candidato ao governo estadual. Mesmo com a resistência pública do ministro, a direção partidária avalia que ele continua sendo o principal nome da esquerda com densidade eleitoral no maior colégio do país. A hipótese de uma candidatura de Geraldo Alckmin chegou a ser analisada, mas prevalece a defesa de sua permanência na Vice-Presidência da República.
Em Minas Gerais, o cenário permanece indefinido. Lula tem sinalizado preferência pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, embora ainda não haja indicação clara de que o senador aceite disputar o governo estadual.
No Rio de Janeiro, a estratégia está definida: o PT decidiu apoiar a candidatura do prefeito da capital, Eduardo Paes, abrindo mão de lançar um nome próprio na disputa pelo Palácio Guanabara.
Sul prioriza alianças regionais
No Paraná, o partido também optou por não apresentar candidatura própria. A prioridade é construir uma aliança capaz de fortalecer o palanque nacional do PT na região Sul. Nesse contexto, o apoio deve recair sobre um nome do PDT, com o deputado estadual Requião Filho aparecendo como principal aposta para a disputa.