A saída da senadora Eliziane Gama (MA) do PSD, anunciada nesta quinta-feira, marca mais um movimento relevante na reorganização política para as eleições de 2026. Após quase quatro anos na legenda, a parlamentar justificou a decisão com base no novo rumo adotado pelo partido, que passou a sinalizar um projeto próprio ao Palácio do Planalto. O reposicionamento do PSD, impulsionado pela pré-candidatura de Ronaldo Caiado, criou um desalinhamento com a atuação política da senadora.
Eliziane Gama, que mantém proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), vinha demonstrando desconforto com a nova orientação da sigla. Nos bastidores, a avaliação é de que sua permanência se tornou inviável diante da mudança de estratégia nacional do partido. A expectativa agora é de que a senadora oficialize sua filiação ao PT, reforçando a base de apoio de Lula, especialmente no Nordeste, onde possui forte atuação política.
A possível chegada de Eliziane ao Partido dos Trabalhadores é vista como um ganho estratégico para a legenda. Com trânsito político consolidado e capacidade de articulação, a senadora pode assumir papel relevante na campanha de reeleição presidencial e na construção de alianças regionais. O movimento reforça a leitura de que, apesar de perdas pontuais, o PT também amplia sua influência ao atrair quadros com densidade eleitoral.
Por outro lado, o partido enfrenta baixas importantes. A deputada federal Luizianne Lins oficializou sua saída do PT após 37 anos de militância, migrando para a Rede Sustentabilidade com o objetivo de disputar o Senado pelo Ceará. A decisão foi motivada por divergências internas e pela percepção de falta de espaço na disputa eleitoral dentro da legenda.
Luizianne já vinha expressando insatisfação com a condução política do PT no Ceará, especialmente em relação ao grupo liderado pelo ministro Camilo Santana e à ascensão de outros nomes, como o deputado José Guimarães. A leitura interna indicava que suas chances de disputar o Senado eram reduzidas, o que acelerou sua saída. A filiação à Rede contou com apoio de lideranças nacionais e reforça a reorganização do campo progressista no estado.
O cenário evidencia um momento de intensa movimentação partidária no Brasil, com partidos reposicionando lideranças e estratégias de olho em 2026. No caso do PT, o quadro é de equilíbrio: ao mesmo tempo em que perde uma figura histórica no Ceará, ganha uma aliada estratégica no Maranhão.