O PT intensificou a estratégia de lançar candidaturas jovens à Câmara dos Deputados com o objetivo de renovar seus quadros, ampliar a bancada federal e fortalecer a base de apoio ao governo no Congresso. A iniciativa reúne novos nomes de diferentes regiões do país e aposta em pautas populares para as eleições.
Loading...
O que aconteceu
O PT está investindo na renovação de sua representação na Câmara dos Deputados por meio do lançamento de candidaturas jovens. A estratégia faz parte da articulação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ampliar a sustentação política do governo no Congresso Nacional, fortalecer a governabilidade em um eventual quarto mandato e promover a renovação das lideranças do partido.
Como parte desse movimento, integrantes da nova geração petista criaram o Congresso do Povo, iniciativa que reúne candidaturas jovens de diferentes estados em torno de uma carta com 13 compromissos políticos voltados a pautas populares. Entre as propostas defendidas estão o fim da jornada de trabalho na escala 6×1, o combate à violência contra a mulher e mudanças no modelo de distribuição das emendas parlamentares.
A idealizadora do movimento, a vereadora de São Paulo Luna Zarattini (PT), afirmou que a iniciativa surgiu como resposta ao que considera um distanciamento da atual composição do Congresso em relação às demandas da população. Segundo ela, o objetivo é fortalecer lideranças que já atuam em seus municípios e estados para ampliar a representação popular no Legislativo federal.
Atualmente, o partido mapeia 37 candidaturas jovens à Câmara dos Deputados e trabalha para eleger o maior número possível desses representantes. De acordo com Luna Zarattini, o grupo reúne mulheres, pessoas LGBTQIA+, negros, lideranças do campo e representantes de diferentes movimentos sociais.
Na última eleição, a Federação PT-PCdoB-PV conquistou 81 cadeiras na Câmara, tornando-se a segunda maior bancada da Casa, atrás apenas do PL, que elegeu 99 deputados. Com a renovação das 513 vagas na próxima eleição, a avaliação interna do PT é que os novos candidatos podem ampliar a votação da legenda e contribuir para rejuvenescer seu perfil político.
Entre os nomes apontados como destaques da nova geração estão a própria Luna Zarattini e o vereador de Belo Horizonte Pedro Rousseff, sobrinho da ex-presidente Dilma Rousseff.
Segundo a secretária nacional de Juventude do PT, Julia Köpf, a formação de novas lideranças é um processo contínuo. Desde 2020, o partido desenvolve o Programa Representa, voltado à formação política, ao suporte institucional e à descentralização de recursos para incentivar novos quadros.
Köpf ressaltou que o fortalecimento de lideranças históricas continua sendo prioridade para o partido, citando como exemplo a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), pré-candidata ao Senado aos 84 anos. Ao mesmo tempo, defendeu a abertura de espaço para uma nova geração preparada para dar continuidade ao projeto político da legenda.
A direção da juventude petista estima eleger entre 10 e 15 deputados federais jovens na próxima disputa e afirma que a mesma estratégia de renovação está sendo aplicada na formação das chapas para as Assembleias Legislativas estaduais. Entre as bandeiras defendidas pelo grupo estão o fim da escala 6×1, a tarifa zero no transporte público e outras pautas voltadas ao eleitorado popular.
A discussão sobre renovação também foi abordada recentemente pelo presidente Lula, que reconheceu a dificuldade do partido e do campo progressista em formar sucessores para a disputa presidencial. Em entrevista ao programa Inteligência Ltda., ele afirmou que gostaria de se afastar da linha de frente da política, mas disse considerar necessário permanecer na disputa para impedir o retorno da extrema direita ao poder.
Apesar desse cenário, dirigentes do PT projetam lideranças como o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad e o ex-ministro da Educação Camilo Santana como nomes preparados para dar continuidade ao projeto político da legenda nos próximos ciclos eleitorais, com foco nas eleições de 2030.