Programa de Lula para 2026 reúne 13 eixos para um novo mandato; veja as principais propostas

Conheça os 13 eixos do programa de Lula para 2026

O programa de governo da chapa Lula-Alckmin para as eleições de 2026 organiza as propostas para um eventual novo mandato em 13 grandes eixos, que passam por economia, geração de emprego e renda, segurança pública, educação, SUS, moradia, agricultura, transição climática, cultura e soberania nacional.

A plataforma apresenta como objetivo geral a construção de um Brasil “soberano, democrático, desenvolvido, sustentável e criativo” e aposta na continuidade das políticas adotadas desde 2023, combinada com uma nova etapa de mudanças estruturais.

Entre os pontos de maior destaque estão o fortalecimento da Nova Indústria Brasil, investimentos no SUS, combate ao crime organizado, expansão dos institutos federais, valorização do salário mínimo, ampliação do Minha Casa Minha Vida, uso de inteligência artificial em serviços públicos e medidas de enfrentamento às mudanças climáticas.

Conheça os 13 eixos do programa de Lula para 2026

1. Economia, crescimento e justiça tributária

Na economia, o programa propõe manter o arcabouço fiscal, controlar a expansão do gasto primário, melhorar a eficiência das despesas públicas e aprofundar medidas de justiça tributária.

A plataforma estabelece como objetivos manter a inflação sob controle e criar condições para uma redução sustentada das taxas de juros, consideradas um obstáculo aos investimentos e ao crescimento econômico de longo prazo.

O investimento público e privado ocupa posição central na estratégia. A proposta prevê ampliar a infraestrutura logística e social, estimular o crédito produtivo e direcionar recursos para setores ligados à inovação e às novas tecnologias.

2. Nova Indústria Brasil, ciência e tecnologia

A política industrial ganha papel estratégico no programa de Lula. A proposta é fortalecer a Nova Indústria Brasil e aproximar indústria, ciência, tecnologia, inovação e comércio exterior.

Inteligência artificial, minerais críticos e outras tecnologias consideradas estratégicas aparecem entre as prioridades.

Segundo o programa, o Plano Mais Produção terá disponibilizado R$ 860 bilhões em financiamentos entre 2023 e 2026. Para um eventual novo mandato, são definidos cinco objetivos principais: aumentar a produtividade, agregar valor às cadeias produtivas, fortalecer a autonomia tecnológica, gerar empregos qualificados e reduzir as emissões da economia.

Também está prevista a continuidade dos investimentos em ciência, tecnologia e inovação, além da criação de condições para atrair e manter pesquisadores no Brasil.

3. Democracia, participação social e Estado digital

O terceiro eixo busca ampliar a participação da sociedade no planejamento público, no orçamento e na formulação das políticas federais.

O programa questiona o peso das emendas parlamentares sobre os recursos discricionários do Executivo e propõe um debate público sobre o atual modelo.

A plataforma também defende a regulação das redes sociais e plataformas digitais para enfrentar a desinformação e campanhas de ódio, afirmando, ao mesmo tempo, a necessidade de preservar a liberdade de expressão e a pluralidade de opiniões.

Entre as propostas estão uma Política Nacional de Letramento Digital, a criação de um Conselho Nacional pela Soberania Digital e novos investimentos no Portal da Transparência, inclusive com utilização de inteligência artificial.

4. Segurança pública e combate ao crime organizado

A segurança pública aparece entre as prioridades do programa. A chapa pretende ampliar a coordenação entre União, estados e municípios, integrar bancos de dados, fortalecer a inteligência policial e atingir principalmente as estruturas financeiras das organizações criminosas.

O programa prevê fortalecer o Brasil Contra o Crime Organizado, ampliar as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado e direcionar recursos para equipamentos e infraestrutura.

O documento cita R$ 10 bilhões para investimentos nessa área.

Também estão previstas medidas de controle e rastreamento de armas e munições, modernização do sistema prisional, reforço das fronteiras e combate aos crimes financeiros e cibernéticos.

Caso a PEC da Segurança Pública seja aprovada pelo Congresso, a proposta é criar o Ministério da Segurança Pública. O programa também prevê ampliar o uso de câmeras corporais e estimular o policiamento de proximidade.

5. Educação com meta de 80% das crianças alfabetizadas

Na educação, a prioridade permanece na educação básica, sem abandonar os investimentos no ensino técnico, tecnológico e superior.

Uma das metas é alcançar 80% das crianças alfabetizadas na idade considerada adequada pelo programa. O documento registra que esse índice chegou a 66% em 2025.

A plataforma também prevê ampliar o ensino em tempo integral, investir em creches e pré-escolas e fortalecer o Pé-de-Meia, além das políticas destinadas a garantir a permanência dos jovens no ensino médio.

Na educação profissional, o programa pretende continuar a expansão dos institutos federais, especialmente no interior e nas periferias. O documento registra a previsão de 111 novos institutos federais em 106 municípios e propõe um novo ciclo de expansão da educação superior pública.

6. SUS com inteligência artificial, digitalização e mais especialistas

Na saúde, o programa combina fortalecimento da atenção básica, redução das filas para especialistas e avanço da digitalização do Sistema Único de Saúde (SUS).

Entre as propostas estão acelerar a implantação do prontuário único do cidadão, ampliar as teleconsultas e utilizar inteligência artificial para triagem, classificação de risco e apoio ao diagnóstico, especialmente em regiões onde há escassez de especialistas.

A chapa pretende ainda manter a expansão do Mais Médicos, preservar a gratuidade integral do Farmácia Popular e ampliar o Agora Tem Especialistas.

Hospitais, policlínicas, saúde mental, vacinação, atenção às mulheres e prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer também aparecem entre as prioridades.

7. Renda, proteção social e combate às desigualdades

O programa pretende manter a política de valorização real do salário mínimo, fortalecer o Bolsa Família e ampliar políticas sociais destinadas a grupos considerados mais vulneráveis.

O documento destaca ainda a isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil e associa a medida à redução da regressividade do sistema tributário.

A plataforma também prevê ampliar políticas de igualdade racial, cotas, proteção dos territórios indígenas e quilombolas e enfrentamento à violência contra as mulheres.

Outra frente é a política de cuidados, com ampliação de Cuidotecas, lavanderias públicas, cozinhas solidárias e restaurantes populares.

8. Moradia, saneamento e transporte público

Nas cidades, o Minha Casa Minha Vida permanece como principal instrumento da política habitacional.

O programa pretende ampliar o acesso ao programa para diferentes faixas de renda, preservando a prioridade para famílias de menor renda e utilizando também imóveis e terrenos da União para novos empreendimentos.

A plataforma prevê ainda urbanização das periferias, regularização fundiária, ampliação do saneamento básico e investimentos em metrôs, trens, VLTs e corredores de ônibus, além da eletrificação das frotas.

9. Agricultura familiar, agronegócio e produção de alimentos

Na produção de alimentos, o programa combina fortalecimento da agricultura familiar com medidas para aumentar a competitividade do agronegócio brasileiro.

Para os pequenos produtores, a proposta inclui ampliação do Plano Safra da Agricultura Familiar, crédito para agroecologia, mulheres, jovens e cooperativas, fortalecimento do Garantia-Safra e continuidade da reforma agrária.

Para o agronegócio, aparecem como prioridades a diplomacia comercial, pecuária sustentável, recuperação de pastagens, rastreabilidade do rebanho, fortalecimento da Embrapa e aumento da produção nacional de fertilizantes.

10. Energia, petróleo e transição energética

A política energética tenta combinar segurança no abastecimento com redução das emissões de carbono.

O programa prevê ampliar fontes renováveis, armazenamento de energia e combustíveis de baixa emissão, além de desenvolver cadeias industriais relacionadas a baterias, hidrogênio, petroquímica verde e bioprodutos.

Ao mesmo tempo, defende novos investimentos da Petrobras na exploração de petróleo e gás, revitalização de campos maduros, ampliação do refino e retorno da estatal ao segmento de distribuição de combustíveis.

Etanol, biodiesel, biometano e combustível sustentável de aviação também ocupam espaço importante na estratégia.

11. Meio ambiente e adaptação às mudanças climáticas

O combate às mudanças climáticas entra como política permanente de planejamento.

A chapa pretende manter ações contra o desmatamento, recuperar áreas degradadas, proteger os biomas e ampliar a prevenção de incêndios.

O programa cita a meta brasileira de reduzir entre 59% e 67% as emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2035, na comparação com os níveis de 2005.

Também estão previstas ações de segurança hídrica, revitalização de bacias hidrográficas e apoio para que estados e municípios se preparem para calor extremo, enchentes e outros eventos climáticos.

12. Emprego, qualificação, cultura e inteligência artificial

No mercado de trabalho, o programa mantém a valorização real do salário mínimo e propõe utilizar crédito público, assistência técnica, incentivos fiscais e compras governamentais para estimular empregos de qualidade.

Uma das novidades é a criação de uma Plataforma Pública Nacional de Empregabilidade com inteligência artificial, integrada à rede SINE, reunindo vagas, cursos, certificações e orientação profissional.

Para trabalhadores autônomos e pequenos empreendedores, estão previstos crédito, qualificação, assistência técnica, inclusão digital e maior proteção previdenciária.

O eixo também contempla cultura e esporte. A proposta prevê fortalecer mecanismos como Lei Aldir Blanc, Lei Rouanet e Cultura Viva, além de estimular audiovisual, games e economia criativa.

O programa também pretende regulamentar o uso da inteligência artificial para proteger direitos autorais e garantir remuneração a artistas quando suas obras forem utilizadas por plataformas digitais.

No esporte, aparecem propostas como ampliação do Bolsa Atleta, apoio ao alto rendimento, criação da Universidade do Esporte e expansão da infraestrutura esportiva.

13. Soberania nacional e política externa

O último eixo reúne política externa, defesa e soberania nacional.

A plataforma propõe fortalecer a proteção das fronteiras, da Amazônia e da chamada Amazônia Azul, ampliar a defesa cibernética e diminuir dependências tecnológicas brasileiras em áreas consideradas estratégicas.

Na diplomacia, o programa reafirma princípios como independência nacional, direitos humanos, não intervenção, defesa da paz e solução pacífica de conflitos.

A integração da América do Sul aparece como prioridade, com defesa do fortalecimento do Mercosul e maior cooperação regional em infraestrutura, segurança, defesa, energia e saúde.

Programa de Lula aposta em continuidade com novas prioridades

Os 13 eixos mostram que a chapa Lula-Alckmin apresenta uma eventual nova gestão como continuidade das políticas iniciadas no atual mandato, mas com maior presença de temas como inteligência artificial, transformação produtiva, segurança pública, adaptação climática e soberania tecnológica.

O programa combina proteção social, investimentos públicos e privados, geração de emprego, fortalecimento do SUS e da educação, combate ao crime organizado, política industrial e transição energética como bases para um eventual novo mandato.

A proposta, portanto, busca transformar a eleição de 2026 também em um debate sobre a continuidade e o aprofundamento das políticas implementadas desde 2023.