O encontro tem como foco o pensamento de Antonio Bispo dos Santos, mestre quilombola da caatinga piauiense, cuja obra tem conquistado espaço crescente no meio acadêmico, especialmente após a publicação do livro “A terra dá, a terra quer”, lançado no mesmo ano de sua ancestralização. A proposta de Nego Bispo de transformar palavras esvaziadas pelo racionalismo colonial em “palavras-semente” — carregadas de múltiplos sentidos e engajamento político — tem sido fundamental para o enfrentamento ao epistemicídio e às diversas formas de racismo estrutural.
Durante a palestra, serão apresentados o método de ocupação de palavras desenvolvido por Nego Bispo e sua relação com as lutas por igualdade racial no Brasil, passando por conquistas como a Lei de Cotas (12.711/2012) e a implementação das leis 10.639/2003 e 11.645/2008 no ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena. Para Harlon, a relevância do evento está na internacionalização desse pensamento. “A importância está, principalmente, na divulgação do pensamento de Nego Bispo para estudantes dos Estados Unidos. O pensamento contracolonial é uma contribuição fundamental para os estudos em ciências humanas e sociais na contemporaneidade e isso pode interessar à comunidade acadêmica em vários aspectos: metodológicos, epistemológicos e ontológicos”, destacou.