Pressionado, Sóstenes muda estratégia e vai para o “tudo ou nada” pela anistia aos golpistas

Ele pretende levar proposta à mesa de líderes na mesma semana em que o STF começa a julgar o ex-mandatário e outros réus da tentativa de golpe

Na próxima semana, quando terá início no Supremo Tribunal Federal (STF) o julgamento da trama golpista de 8 de janeiro, a bancada do PL na Câmara dos Deputados pretende apostar todas as fichas para tentar aprovar, de forma direta, um projeto de anistia aos envolvidos na tentativa de golpe de Estado. Entre os réus da Corte está o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A estratégia do líder da legenda, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), é apresentar a proposta na reunião de líderes partidários marcada para terça-feira (2), mesma data em que começa o julgamento no STF.

O movimento ocorre após desgaste interno com a defesa pública da chamada “PEC das prerrogativas” e da proposta de mudanças no foro privilegiado, medidas que geraram forte reação negativa. Diante do impasse, Sóstenes anunciou na quinta-feira (28) que esses pontos deixam de ser prioridade para o partido.

Ainda assim, o parlamentar pressiona outras bancadas a assumirem posição pública sobre os temas. Segundo ele, o interesse por alterações nas prerrogativas e no foro era compartilhado por várias legendas, inclusive setores da esquerda, mas o ônus político acabou recaindo apenas sobre o PL.

Como resposta, a sigla aposta agora na anistia. A iniciativa é vista como uma bandeira direta da família Bolsonaro. Eduardo Bolsonaro, por exemplo, chegou a comemorar quando o governo de Donald Trump anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros como forma de pressionar pelo julgamento do ex-presidente. Na sequência, aliados colocaram a anistia como saída para encerrar o tarifaço, em vigor desde 6 de agosto.