"Povo Abençoado do Brasil": “Vai ter que me prender para me calar”, diz Malafaia após ser ouvido pela PF

Investigado por coação e obstrução no inquérito do golpe, pastor chama Moraes de "criminoso" e acusa STF e PF de perseguição política e religiosa.

O pastor Silas Malafaia voltou a protagonizar ataques ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após prestar depoimento à Polícia Federal (PF) na noite desta quarta-feira (20). Ele foi alvo de mandado de busca pessoal e apreensão de celulares no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, dentro do inquérito que apura suposta coação e obstrução contra autoridades responsáveis pelo processo da tentativa de golpe de Estado, no qual Jair Bolsonaro e aliados são réus.

Segundo a PF, Malafaia desembarcava de um voo vindo de Lisboa quando foi abordado e levado às dependências do aeroporto, onde prestou depoimento por várias horas. As medidas foram autorizadas pelo STF, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). O procurador-geral Paulo Gonet destacou, em parecer enviado em 15 de agosto, que o pastor aparece como “orientador e auxiliar” das ações atribuídas a Eduardo Bolsonaro e ao ex-presidente Jair Bolsonaro, no intuito de interferir no curso da Ação Penal 2668, que trata da tentativa de golpe e da abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Além da apreensão dos aparelhos, Malafaia teve o passaporte retido e está proibido de deixar o país ou manter contato com outros investigados.

Ofensiva verbal contra Moraes

Ao deixar o local, Malafaia foi recebido por apoiadores e fez duras críticas ao ministro Alexandre de Moraes. “Estamos diante de um criminoso chamado Alexandre de Moraes, que venho denunciando há quatro anos em mais de 50 vídeos. Ele estabelece o crime de opinião no estado democrático de direito”, afirmou. Em seguida, negou que tenha orientado Eduardo Bolsonaro em mensagens reveladas no inquérito e acusou o Supremo e a PF de promoverem “vazamentos seletivos”.

Mais tarde, já de madrugada, o pastor divulgou um vídeo em suas redes sociais intensificando os ataques. Aos gritos, comparou a PF à Gestapo, polícia secreta do regime nazista, e acusou Moraes de instaurar perseguição política e religiosa. “Mandaram apreender meu passaporte como se eu fosse um criminoso. Eu sou um líder religioso reconhecido internacionalmente. Que país é esse?”, declarou. Ele ainda desafiou outros ministros do STF, citando Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes, a reagirem à atuação de Moraes: “Vocês têm medo desse cara?”.

Contradições sobre Eduardo Bolsonaro

O inquérito divulgado nesta quarta-feira expôs trocas de mensagens nas quais Malafaia chama Eduardo Bolsonaro de “babaca”, “idiota” e “inexperiente” por provocar sanções internacionais contra o Brasil. Questionado, o pastor afirmou que apenas critica o deputado “quando está errado” e que isso não configura crime. “Vai ter que me prender para me calar”, concluiu.

Apesar da tensão, Eduardo Bolsonaro divulgou em suas redes sociais uma mensagem de apoio ao pastor, tentando reaproximar-se. “Pastor Silas Malafaia, estamos juntos. O senhor está sofrendo os últimos atos deste regime. Bola pra frente”, escreveu. Malafaia, por sua vez, disse que mantém amizade com todo o clã Bolsonaro e que as conversas pessoais com o ex-presidente e seus filhos foram expostas de forma ilegal.