O presidente Lula decidiu adiar o anúncio oficial da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). A confirmação do adiamento foi feita pelos ministros Rui Costa (Casa Civil) e Sidônio Palmeira (Comunicação Social), que informaram que a escolha será formalizada apenas após a viagem presidencial à Ásia.
Lula embarcou nesta terça-feira (21) para compromissos oficiais na Indonésia e na Malásia, onde participará da cúpula da ASEAN e deve se reunir com Trump. A nomeação de Messias, atual advogado-geral da União, estava prevista para esta terça, mas o presidente optou por ampliar as conversas políticas antes de tornar a decisão pública.
E porque isso ocorreu?
Veja a opinião do jornalista Luis Costa Pinto:
Lula faz política como se deve fazer – lentamente, costurando todas as pontas. Ele não podia jogar o nome do Messias para quarar ao sol do cerrado e pegar o avião para a Indonésia (24 horas de voo) deixando-o submetido às maledicências do jogo do Senado e dos movimentos sociais.
O presidente da República acenou para Alcolumbre com a abertura de poços de pesquisa na Margem Equatorial, ontem. Na semana passada, segurou a Marina Silva no governo ao construir com Davi Alcolumbre a retirada de pauta dos 63 vetos ao desmonte do licenciamento ambiental que o Congresso havia feito.
Por fim, ontem, sacramentou a ida de Boulos para o Palácio do Planalto, resgatando-o de um mandato apenas mediano como deputado, a fim de dar novos caminhos a um dos nomes nos quais aposta para a renovação à esquerda e também para segurar um pouco a ala que o cobra por uma mulher (e negra, de preferência) no STF.
Lula constrói também uma ponte para levar Rodrigo Pacheco ao MDB e fazê-lo candidato ao governo de Minas Gerais com seu apoio e do PT. Foi por tudo isso que não deixou o jovem e densamente evangélico Jorge Messias quarando no zinco em Brasília enquanto resolve a guerra tarifária com Trump na Indonésia e articula um recuo dos EUA dos arreganhos e laivos de guerra na América do Sul.