O Partido Liberal (PL), legenda que abriga boa parte da direita bolsonarista, vive uma crise que vai muito além da conjuntura política. Trata-se de um racha interno cada vez mais evidente entre setores pragmáticos e figuras radicais que, isoladas em suas ambições pessoais, afastam o partido da realidade do povo brasileiro. Em vez de apresentar soluções, o PL tem se mostrado um palco de disputas internas, vaidades e oportunismos — um partido onde o pobre só serve como eleitor, e os ricos continuam sendo os verdadeiros beneficiários.
O episódio ocorrido na terça-feira (22), quando deputados do partido ergueram no Congresso uma bandeira dos Estados Unidos com a imagem de Donald Trump, escancarou esse abismo. O gesto constrangeu até aliados e gerou desconforto dentro da própria bancada. Em meio à crise provocada pelo tarifaço de 50% anunciado por Trump contra produtos brasileiros, parte do PL tenta construir uma saída política que preserve sua imagem para as eleições de 2026. No entanto, manifestações como essa desviam o foco e minam qualquer esforço estratégico.
Setores mais pragmáticos do partido criticaram, nos bastidores, o circo armado por parlamentares como Delegado Caveira (PL-PA), apontando que o gesto tirava o foco do real motivo do protesto: a decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de suspender as reuniões das comissões. O recado foi claro: quem quiser pagar mico internacional, que o faça sozinho. Em grupo, o ato só queimava o partido — e num momento em que o fogo já arde em várias frentes.
Outro ponto de atrito interno atende pelo nome de Eduardo Bolsonaro. Deputado licenciado, vivendo nos Estados Unidos, Eduardo tornou-se um problema em vez de solução para a direita brasileira. De acordo com lideranças do próprio PL, ele é "incontrolável", não ouve ninguém e tem mais gerado desgaste do que articulações políticas efetivas. Sua proximidade com Trump e o papel que desempenhou na gênese do tarifaço são vistos por aliados como uma sabotagem ao projeto de poder da direita nacional.
A verdade é que o PL está rachado. Entre aqueles que ainda tentam costurar acordos institucionais e aqueles que vivem de alimentar o radicalismo de redes sociais, sobram contradições e faltam compromissos com o povo. O partido, que nas urnas se apresenta como defensor da liberdade e da família, na prática opera como um clube de privilegiados, mais atento ao humor de bilionários estrangeiros do que à sobrevivência da população pobre brasileira.
Enquanto isso, os trabalhadores, os pequenos produtores e os empresários que dependem das exportações brasileiras para sobreviver encaram calados o impacto do tarifaço. O PL, que poderia estar defendendo os interesses do Brasil, prefere carregar bandeiras alheias. Ao povo — que só é lembrado em época de eleição — resta a conta para pagar.