PF prende "delegado da facada" e aliados de Nikolas Ferreira em esquema bilionário de mineração ilegal

Foi na Operação Rejeito, contra uma organização criminosa suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes ambientais ligados à mineração em Minas Gerais

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (17) a Operação Rejeito, contra uma organização criminosa suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes ambientais ligados à mineração em Minas Gerais. Ao todo, foram expedidos 22 mandados de prisão preventiva, dos quais 17 já cumpridos, além de 79 ordens de busca e apreensão, bloqueio de bens estimados em R$ 1,5 bilhão e suspensão de atividades de empresas envolvidas.

Delegado da facada entre os presos

Entre os detidos está o delegado Rodrigo de Melo Teixeira, ex-superintendente da PF em Minas Gerais. Ele ocupava o terceiro posto mais alto da corporação até deixar o cargo no fim de 2024 e, atualmente, trabalhava na Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, vinculada ao Serviço Geológico do Brasil. Teixeira ganhou notoriedade nacional em 2018 ao conduzir as investigações do atentado contra Jair Bolsonaro, então candidato à Presidência, em Juiz de Fora. No ano seguinte, esteve à frente das apurações sobre o rompimento da barragem de Brumadinho. Também exerceu funções de destaque em secretarias estaduais de Minas e chegou a compor, em 2023, o Comitê de Segurança, Meio Ambiente e Saúde da Petrobras.

Outro preso de destaque é Caio Mário Trivellato Seabra Filho, diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM).

Esquema criminoso e “Três Amigos da Mineração”

De acordo com a PF, a organização criminosa corrompia servidores de órgãos estaduais e federais para obter licenças ambientais fraudulentas, permitindo a exploração irregular de minério de ferro, inclusive em áreas tombadas e de preservação. O esquema teria rendido lucros de pelo menos R$ 1,5 bilhão, com projetos em andamento que poderiam movimentar até R$ 18 bilhões.

As investigações apontam que o grupo era coordenado por três empresários que se organizavam em um grupo de WhatsApp chamado “Três Amigos Mineração”.

Aliado de Nikolas no centro do escândalo

A operação também prendeu Gilberto Henrique Horta de Carvalho, conhecido como Gilberto Carvalho, apontado como lobista do esquema e articulador político na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Bolsonarista radical, Carvalho ostentava nas redes sociais uma vida de luxo, viagens aos Estados Unidos e participação em eventos do PL em Belo Horizonte.

No Instagram, exibia proximidade com nomes da direita radical, como Nikolas Ferreira (PL-MG), Bruno Engler, além de Jair e Eduardo Bolsonaro. Em sua biografia digital, se apresentava como “empresário, cristão e de direita”, inspirado no legado de Enéas Carneiro, ídolo de Bolsonaro.

Crimes e consequências

Segundo a PF, os investigados poderão responder por crimes ambientais, usurpação de bens da União, corrupção ativa e passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro e embaraço à investigação. O caso é conduzido por um colegiado de juízes federais em Minas Gerais, criado para dar celeridade e uniformidade ao processo.