A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta terça-feira (23) a Operação Miragem, que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Digimais, instituição ligada ao grupo empresarial do bispo Edir Macedo. A ação tem como objetivo desarticular uma organização suspeita de cometer crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Mais de 50 policiais federais cumprem nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal em São Paulo. A decisão judicial também determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, além do bloqueio e sequestro de bens que podem chegar a R$ 670,3 milhões.
Segundo a Polícia Federal, relatórios produzidos pelo Banco Central do Brasil apontaram graves irregularidades na gestão da instituição financeira. As investigações indicam que administradores do banco teriam manipulado balanços e demonstrações contábeis para ocultar a real situação financeira da empresa e transmitir uma falsa aparência de solvência aos órgãos reguladores.
As apurações apontam ainda que o esquema teria permitido a supervalorização de ativos e a criação artificial de receitas que somam centenas de milhões de reais. Além disso, a PF investiga operações financeiras supostamente ilegais realizadas em benefício da empresa controladora do banco, bem como a possível inserção de informações falsas em sistemas oficiais de fiscalização.
Os investigados poderão responder por crimes previstos na Lei nº 7.492/1986, conhecida como a Lei dos Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Entre os delitos apurados estão gestão fraudulenta de instituição financeira, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito proibidas pela legislação.
Banco Digimais tem mais de 145 mil clientes
O Banco Digimais informa em seu site que já ultrapassou R$ 1 bilhão em operações de crédito e possui mais de 145 mil clientes em todo o país. Dados divulgados pela instituição no segundo semestre de 2025 mostram que aproximadamente 70% da sua base de clientes está concentrada na região Sudeste. As mulheres representam 63,1% dos correntistas.
Fundado em 1981, o banco passou por mudanças societárias ao longo de sua trajetória. Em 2009, associou-se ao Grupo Record e, em 2020, foi incorporado ao conglomerado empresarial ligado à emissora. Atualmente, sua carteira de crédito é concentrada principalmente em financiamento de veículos, responsável por 52% das operações, e crédito consignado, que representa 42%.
A instituição também mantém convênios para empréstimos consignados com órgãos públicos, incluindo a Prefeitura de São Paulo e o Governo do Estado de São Paulo, que respondem por parcela significativa da carteira de convênios. Ao todo, o banco possui mais de 69 acordos com entes públicos.
Banco Digimais negou irregularidades antes da operação
Em maio deste ano, o Banco Digimais divulgou nota oficial rebatendo reportagens que apontavam supostas irregularidades contábeis e manobras para ocultar prejuízos milionários.
Na ocasião, a instituição classificou as acusações como "completamente inverídicas" e afirmou que as informações divulgadas eram "distorcidas e desprovidas de qualquer comprovação material ou documental". O banco também declarou estar à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.
"A instituição permanece firme em seu propósito, operando com segurança e integridade", afirmou o comunicado divulgado em 20 de maio.
Com a deflagração da Operação Miragem, a Polícia Federal busca aprofundar as investigações sobre a gestão do Banco Digimais e esclarecer a extensão das supostas fraudes apontadas pelos relatórios do Banco Central. O caso segue sob apuração da Justiça Federal.