Papa Leão XIV reconhece liderança do Brasil no combate à fome, diz Wellington Dias

Após encontro no Vaticano, Wellington Dias destacou que o papa elogiou o compromisso do Brasil e de Lula no combate à fome e à desigualdade.

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, afirmou que o papa Leão XIV reconheceu o papel de liderança do Brasil na criação da Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza, iniciativa lançada pelo governo brasileiro para mobilizar países e instituições no combate à insegurança alimentar mundial. As declarações foram dadas após a audiência entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o pontífice, realizada nesta segunda-feira (13), no Vaticano.

Segundo Dias, o encontro foi marcado por uma atmosfera de respeito e cooperação. “Na audiência com o papa Leão XIV, o presidente Lula me apresentou como ‘Wellington Dias, o índio, e o ministro do Desenvolvimento Social, que coordena o Plano Brasil Sem Fome e tirou o Brasil do Mapa da Fome, alcançando o menor patamar da história do país, segundo a FAO/ONU, e está reduzindo a miséria e a pobreza, com mais igualdade’”, relatou.

O ministro contou ainda que entregou ao pontífice o bóton da Aliança Global e que o papa destacou o compromisso cristão com essa causa. “Nas prioridades que apresentei na encíclica, destaquei o compromisso dos cristãos com o cuidado para a superação da fome e da pobreza”, afirmou o pontífice, segundo Dias. “O papa foi muito atencioso com o presidente Lula, dona Janja e a comitiva brasileira, e reconheceu o papel de liderança do Brasil na criação da Aliança. Disse que estará orando para que o mundo alcance bons resultados até 2030”, completou.

Lula classificou o encontro como “excelente” e disse que a audiência abordou temas como religião, fé, Brasil e os desafios globais. “Eu e a Janja tivemos um excelente encontro com Sua Santidade, o papa Leão XIV, no Vaticano. Conversamos sobre religião, fé, o Brasil e os imensos desafios que o mundo precisa enfrentar”, declarou.

O presidente parabenizou o pontífice pela Exortação Apostólica Dilexi Te, que reafirma o vínculo entre fé e justiça social. “Parabenizei o Santo Padre pela exortação e pela mensagem de que não podemos separar a fé do amor pelos mais pobres. Disse a ele que precisamos criar um amplo movimento de indignação contra a desigualdade e considero o documento uma referência, que deve ser lida e praticada por todos”, afirmou.

Lula também relembrou sua relação com figuras históricas da Igreja Católica no Brasil, como Dom Paulo Evaristo Arns, Dom Hélder Câmara, Dom Luciano Mendes de Almeida, Pedro Casaldáliga e o atual presidente da CNBB, Dom Jaime Spengler, e destacou a importância das Comunidades Eclesiais de Base em sua formação pessoal e política.

Durante o encontro, o presidente mencionou ainda sua participação no Fórum Mundial da Alimentação da FAO, em Roma, e ressaltou que o Brasil voltou a sair do Mapa da Fome em dois anos e meio de governo. “Estamos levando este debate para o mundo por meio da Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza”, disse.

Ao final, Lula convidou o papa a participar da COP30, que será realizada em 2025, em Belém (PA). O pontífice explicou que não poderá comparecer por conta do Jubileu, mas garantiu representação do Vaticano e manifestou o desejo de visitar o Brasil futuramente. “Ficamos muito felizes em saber que Sua Santidade pretende visitar o Brasil no momento oportuno. Será recebido com o carinho, o acolhimento e a fé do povo brasileiro”, afirmou Lula.

A audiência reforçou o protagonismo do Brasil na defesa da erradicação da fome, na redução das desigualdades e na promoção da justiça social, bandeiras que orientam tanto o Plano Brasil Sem Fome quanto a atuação diplomática do país.