Papa Leão XIV recebe MST no Vaticano e diz que 'terra é direito sagrado'

Igreja reforça diálogo com movimentos sociais e apoia lutas por justiça, igualdade e direitos fundamentais.

Na última semana, o Papa Leão 14 recebeu representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e de mais 130 organizações durante a quinta edição do Encontro Mundial de Movimentos Populares, realizado no Vaticano. Em sua primeira audiência com o MST, o pontífice destacou que “a terra, o teto e o trabalho são direitos sagrados pelos quais vale a pena lutar”, frase que marcou o início de seu discurso e deu o tom de apoio e compromisso social da reunião.

O encontro, que fortalece o diálogo entre a Igreja Católica e os movimentos populares, antecede o Jubileu dos Movimentos Populares, programado para os dias 25 e 26, com uma missa na Praça de São Pedro. A iniciativa dá continuidade ao trabalho iniciado pelo Papa Francisco em 2014, quando o Vaticano passou a estreitar laços com organizações voltadas à defesa dos direitos humanos, justiça social e sustentabilidade.

O MST esteve representado pela dirigente Ayala Ferreira, que entregou ao Papa uma imagem de Ossanha feita com miçangas do candomblé, criada por Wilton Gurgel, oficineiro do Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira (CENARAB). Além do MST, outras organizações brasileiras também participaram, como o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), o MNCR (Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis) e o próprio CENARAB.

Durante a audiência, Leão 14 ressaltou a importância dos movimentos populares como “construtores de solidariedade na diversidade” e afirmou que a Igreja deve caminhar junto deles. “A Igreja deve estar com vocês: uma Igreja pobre para os pobres, que se inclina, que assume riscos, que é valente, profética e alegre.”

O pontífice também abordou os desafios globais diante das desigualdades e das crises econômicas. Segundo ele, a globalização “oferece a possibilidade de uma grande distribuição da riqueza em escala planetária como nunca se viu antes. Mas, se for mal administrada, pode aumentar a pobreza e a desigualdade, além de contagiar o mundo inteiro com uma crise.”

Em tom político, Leão 14 reforçou o papel das organizações sociais na promoção da justiça e da paz. “Hoje devemos acompanhar os movimentos populares. Isso significa caminhar junto com respeito à dignidade humana e com o desejo comum de justiça, amor e paz. A Igreja apoia as lutas justas pela terra, pelo teto e pelo trabalho.”

O líder religioso concluiu seu discurso destacando a força transformadora dos movimentos de base: “Os movimentos populares preenchem o vazio gerado pela falta de amor, com o grande milagre da solidariedade baseada no cuidado com o próximo e na reconciliação. Suas ações locais e criativas podem se transformar em novas políticas públicas e direitos sociais. Sua busca é legítima e necessária.”

Com delegações de todos os continentes, o Encontro Mundial de Movimentos Populares reforça o compromisso do Vaticano em manter o diálogo aberto com as lutas sociais e a convicção de que fé e justiça caminham lado a lado. Em nota, o MST considerou o encontro “um chamado para que os movimentos continuem caminhando junto à Igreja na construção de um mundo mais fraterno”.