PAI E FILHO EM CRISE: há um racha entre Bolsonaro, Eduardo e PL! Implosão da estrema está no radar

Impedidos de manter contato direto por decisão do STF, pai e filho se comunicam por intermédio de figuras como o deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, que esteve nos Estados Unidos para encontrar Eduardo

A crise que envolve Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP) ganhou novos contornos nos últimos dias, revelando um cenário de fragmentação no campo da extrema direita.

Em prisão domiciliar e às vésperas de iniciar o cumprimento da pena de 27 anos e 3 meses imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe, o ex-presidente tem enviado recados a aliados pedindo que o filho modere o tom. Bolsonaro teme que os ataques de Eduardo prejudiquem tanto as negociações em torno de anistia e redução de pena quanto a relação com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

Impedidos de manter contato direto por decisão do STF, pai e filho se comunicam por intermédio de figuras como o deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, que esteve nos Estados Unidos para encontrar Eduardo e Paulo Figueiredo, neto do ex-ditador João Figueiredo. A reunião, divulgada em foto nas redes sociais, foi apresentada como um gesto pela “anistia”, mas, nos bastidores, serviu também para transmitir o apelo do ex-presidente: “segurar a língua” para não comprometer os acordos em Brasília.

Radicalização de Eduardo

O pedido, porém, não surtiu efeito. Instalado nos EUA desde o início do ano, Eduardo intensificou os ataques a ministros do STF e rejeitou qualquer recuo. O deputado insiste em manter a bandeira da anistia como prioridade, contrapondo-se às articulações do PL e do centrão que tratam apenas de reduzir penas.

Nas últimas semanas, Eduardo ampliou o confronto interno: lançou-se como pré-candidato à Presidência em 2026 sem aval do pai e indicou que enfrentaria inclusive o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, apontado como nome viável da direita para disputar o Planalto. A postura elevou a irritação dentro da legenda e aumentou o desgaste de Bolsonaro, que vê os movimentos do filho como obstáculo à sua sobrevivência política e jurídica.

Paulo Figueiredo: “Bolsonaro é incapaz”

Braço-direito de Eduardo nos EUA, Paulo Figueiredo radicalizou ainda mais o discurso ao afirmar que o ex-presidente “não tem condições de liderar”. Em publicações no X, escreveu que Bolsonaro é hoje um “homem sequestrado, doente e incapaz de decidir”. Para ele, o ex-capitão não teria sequer legitimidade para negociar sua saída da prisão.

PT ironiza crise

A desordem no bolsonarismo foi comemorada pela oposição. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, comparou a situação a um escândalo mafioso:
“Bolsonaro implora para que o filho feche a boca enquanto Eduardo afirma que o pai está incapaz. É um quadro desmoralizante, parece coisa de Pablo Escobar na Colômbia”, ironizou.

Conflito com Valdemar Costa Neto

A disputa também tem dimensão financeira e partidária. Segundo aliados, Eduardo reclama da concentração de recursos em torno de Michelle Bolsonaro, presidente do PL Mulher. Já Valdemar considera inviável destinar verbas ao deputado, hoje radicado nos Estados Unidos.

A tensão chegou ao ápice quando Valdemar afirmou que, caso Eduardo insistisse em disputar a Presidência sem o aval do pai, iria “matar seu pai”. O deputado reagiu chamando a fala de “canalhice”. O dirigente respondeu que os votos não pertencem ao filho, mas a Jair Bolsonaro: “Se o pai escolher, terá o apoio do partido. Diferente de você, respeito muito seu pai”, disse.

Rumo incerto

Apesar das tentativas de Bolsonaro de apaziguar o conflito, Eduardo segue desafiando tanto o comando do PL quanto o próprio pai. “Não abdiquei de tudo para trocar afagos mentirosos com víboras”, escreveu nas redes sociais.

O resultado é um bolsonarismo dividido: de um lado, um ex-presidente fragilizado, buscando uma saída negociada; de outro, um filho que aposta no confronto aberto e que, junto a Paulo Figueiredo, insiste em apresentar Jair Bolsonaro como incapaz de decidir o próprio destino.