Pai e filho bombam na internet exaltando amor pelo Vasco

Wallace Neguere e Wellington Sobrinho, conhecido como Zezeu, são amados pelos vascaínos e estão conquistando fãs pelo Brasil

Foto: Metrópoles
Torcedores vascaínos

Metrópoles- O Vasco pode não estar no seu melhor momento dentro e fora de campo, mas há uma dupla de torcedores que dá aula de entrosamento na internet. Pai e filho, Wallace Neguere e Wellington Sobrinho — conhecido como Zezeu –, são amados pelos vascaínos e estão conquistando fãs pelo Brasil.

Nascidos em Brasília, Neguere, 40 anos, e Zezeu, 9, começaram a compartilhar vídeos deles juntos falando sobre o amor pelo Vasco, analisando as partidas e comemorando de uma maneira divertida e inusitada as vitórias do time.

“O primeiro vídeo que viralizou foi em setembro de 2019. A gente estava no carro, eu fui buscar ele no colégio. Eu publiquei o vídeo no Twitter, tinha pouco mais de mil seguidores, e em algumas horas já tinha atingido 5 mil, depois 10 e foi só crescendo”, lembrou Wallace.

Time do amor

“Minha família é vascaína e eu tive essa referência por ver meu pai torcendo, meus avôs paterno e materno que torciam e conversavam muito comigo sobre a história, sobre a grandeza, sobre a importância do Vasco pra sociedade, o que o Vasco propôs pra classe trabalhadora, para o negro e pra outras comunidades que tinha no Vasco uma esperança de vida”, contou.

O pequeno Zezeu já viu o seu time do coração disputar a Série B três vezes, cresceu vendo o pai torcer pelo Vasco de perto, aprendeu a amar o clube e revela que, mesmo depois das quedas, nunca pensou em trocar de time. “Nunca trocaria de time, pela grandeza do clube, pela história”, afirmou.

Valores inspirados na história do clube

Pai e filho nunca deixam de se posicionar diante de pautas importantes para a sociedade. Seja sobre racismo ou homofobia, Neguere e Zezeu se mantém firme no que acreditam e defendem. Nas redes sociais, eles postam constantemente mensagens a favor do movimento antirracista e, na última semana, no mês do Orgulho LGBTQIA+, eles saíram em defesa e apoio, com vídeos importantes.

“Eu passo para os meus filhos — Zezeu e Maria Cecília, a caçula de 3 anos — o seguinte, eu aprendi dessa forma: primeiro, a gente tem que respeitar o próximo. Se todos nós somos iguais, não tem porque eu julgar alguém pela sexualidade ou qualquer outra coisa”, ressalta Neguere.

“Um clube igual ao Vasco da Gama, que sempre esteve na trincheira, lutando contra tudo e contra todos, representando o povo igual eu disse, fez muito bem em se posicionar, fez muito bem em fazer defesa, em fazer campanha, em fazer tudo isso, informar a sociedade a importância de se abraçar uma pauta tão importante, que não é uma pauta política, é uma pauta humanitária que como o racismo, igual eu sempre falei e converso com o Zezeu, tem que ter entendimento e tem que ter muito respeito.”

“Nós respeitamos, nós usamos, sim, isso como referência, usamos o Vasco como pilar pra gente poder fazer defesa de tudo aquilo que a gente acredita ser verdade e ser o certo. Dentro da minha casa não entra homofobia, não entra nenhum tipo de preconceito. Dentro da minha casa sempre vai entrar o respeito”, garantiu.

O sucesso na internet

No Twitter, eles têm 55,4 mil seguidores, no Instagram, Wallace tem 121 mil e o próprio Zezeu tem 36,1 mil fãs. O pai tenta explicar o sucesso: “As pessoas se identificam porque é algo que tava perdido, aquele torcedor raiz, aquele cara que incentiva o filho independente da situação que o clube se encontra e manter os valores de um torcedor raiz é muito complicado, porque ele tem outras referências, vê outros times sendo campeão, ele vê jogos internacionais e hoje o Vasco não oferece isso aos seus torcedores.”

“Eu não estou acostumado. Ele está mais acostumado que eu. Óbvio que a gente blinda ele, eu e a mãe monitoramos as redes sociais dele. O Zezeu é muito tranquilo com relação a isso. É assustador a internet. Hoje, tudo que a gente fala, tudo que a gente publica tem um alcance muito grande”, refletiu.

Um dos vídeos que mais viralizou dos dois, foi um no qual o garoto grita o nome do ex-jogador do time, Ribamar e chora de decepção. “A gente estava muito p*** no dia, porque era um jogo pra gente ter ganhado, e ele deu aquele grito espontâneo de raiva do Ribamar e viralizou. E a gente aproveitou esse momento que a torcida rival tentou sacanear, a gente fez meio que um marketing reverso, a gente usou isso a nosso favor, mas é bacana”, lembrou Neguere.

“Tudo nosso é natural. Às vezes a gente fica dois, três dias sem postagens porque a gente tenta pegar algo espontâneo do Zezeu, alguma trollagem, e como ele está crescendo, está ficando esperto, dificulta um pouco as coisas, mas tudo nosso é orgânico, tudo é natural, a gente cria conteúdo na hora, nada é ensaiado”, revelou. “Algumas pessoas falam que gostam mais do Zezeu do que de mim. Que é bom, é bom pra um pai ouvir tudo isso.”

Até o fim 2021, Zezeu espera comemorar muitas vitórias e terminar com a comemoração do acesso, claro, com muita glicose. Wallace já garantiu a festa: “Se isso acontecer, será chuva de bala, banho de mel e muita coisa gostosa (risos)”.