OUTRA TRAIÇÃO: União-PP deve abandonar Flávio Bolsonaro e anunciar neutralidade nas eleições

Falta de apoio a Márcio Canella, preso pela PF, amplia crise no Rio e leva federação União-PP a se afastar de Flávio Bolsonaro na disputa pelo Planalto

A federação formada por PP e União Brasil deve retirar o apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) antes das convenções partidárias, previstas para começar em 20 de julho. O movimento é atribuído ao agravamento da crise entre os partidos, impulsionado por investigações, pela prisão de um aliado do senador e pelo desgaste na relação com lideranças da federação.

O que aconteceu

PP e União Brasil caminham para abandonar o apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro e adotar uma posição de neutralidade nas eleições. A decisão ganhou força após o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, demonstrar insatisfação com a postura do senador desde que passou a ser investigado no caso envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Flávio Bolsonaro também teve sua relação com Vorcaro exposta por um áudio divulgado pelo site The Intercept Brasil, no qual cobra parte de um repasse milionário supostamente destinado ao patrocínio do filme Dark Horse. O senador passou a ser investigado, embora ainda não tenha sido alvo de ações da Polícia Federal nesse caso, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

O desgaste aumentou após a prisão de Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo, integrante do União Brasil e pré-candidato ao Senado no Rio de Janeiro com apoio de Flávio Bolsonaro. Canella foi preso durante a Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, após um fuzil ser encontrado em seu carro, em investigação sobre uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis.

Dirigentes do União Brasil criticaram o silêncio de Flávio Bolsonaro após a prisão e passaram a desconfiar de movimentações atribuídas a aliados do PL para enfraquecer a candidatura de Canella ao Senado. Com isso, a federação ampliou o distanciamento em relação ao projeto eleitoral do senador, reduzindo ainda mais a possibilidade de composição da chapa, inclusive com a participação da ex-ministra Tereza Cristina como vice.