Oposição vence e CPMI do INSS elege novo presidente

Carlos Viana assume presidência da CPMI e escolhe aliado de Bolsonaro como relator; comissão apura fraudes bilionárias no INSS.

A oposição no Congresso Nacional impôs uma derrota ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ao eleger o senador Carlos Viana (Podemos-MG) como presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga desvios na Previdência Social. Alcolumbre havia indicado o senador Omar Aziz (PSD-AM) para o cargo, mas a indicação não foi adiante.

Responsável por articular a criação da CPMI, a oposição rejeitou o nome proposto pelo presidente do Senado e lançou uma candidatura alternativa. Como não houve consenso, foi necessário realizar uma votação secreta. Carlos Viana venceu com 17 votos contra 14.

Após a eleição, Viana também rejeitou a indicação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para a relatoria da comissão. Em vez disso, nomeou o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro. Gaspar já havia sido relator de uma proposta que suspendeu parte da ação penal contra o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), acusado de envolvimento em tentativa de golpe de Estado.

O relator terá a responsabilidade de elaborar o relatório final da comissão, incluindo eventuais pedidos de indiciamento. “Conversamos bastante sobre o desafio desta CPMI. Tenho certeza de que ele fará um excelente trabalho”, declarou Carlos Viana, justificando a escolha de Gaspar com base em sua “ampla experiência curricular”.

Instalada nesta quarta-feira (20), a CPMI foi criada em junho com a missão de investigar um esquema de fraudes em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU), os desvios podem chegar a R$ 6,3 bilhões. O esquema envolveria entidades que cobravam descontos indevidos e usavam cadastros falsos para justificar essas cobranças.

A comissão terá duração inicial de seis meses, com possibilidade de prorrogação. Serão 32 membros titulares, divididos igualmente entre deputados e senadores. PT e PL terão as maiores bancadas, com quatro representantes cada.

Composição da CPMI:

Senado:

Câmara dos Deputados: