“Olha a tornozeleira aí, gente!” - Fafá de Belém: a voz que nunca se calou

Antes de cantar seu consagrado hit Vermelho, canção frequentemente associada à esquerda brasileira, provocou: “Olha a tornozeleira aí, gente!”

Com uma carreira de décadas, Fafá de Belém consolidou-se como uma das mais importantes artistas brasileiras, levando ao país a musicalidade do Pará e do Norte com autenticidade e força. Desde os primeiros passos, destacou-se não apenas pela potência vocal, mas também pela coragem de assumir posições políticas em momentos cruciais da história nacional.

Nos anos 1980, tornou-se presença constante nos comícios das Diretas Já, cruzando o Brasil de norte a sul em defesa do voto popular. Ao lado de figuras como Osmar Santos, Ulysses Guimarães, Franco Montoro, Leonel Brizola, Tancredo Neves e Luiz Inácio Lula da Silva, foi a intérprete do hino que embalou a esperança de milhões por um país mais democrático.

Ao longo de sua trajetória, Fafá nunca se esquivou dos embates políticos. Em momentos decisivos para o país, posicionou-se com firmeza em defesa da democracia e de valores progressistas — sempre com irreverência, inteligência e paixão.

Na manhã de ontem, o Brasil foi surpreendido com a notícia de que o ex-presidente Jair Bolsonaro havia recebido uma tornozeleira eletrônica, por determinação do Supremo Tribunal Federal, como medida cautelar diante da suspeita de que o réu pudesse fugir do país.

Horas depois, durante uma apresentação, Fafá de Belém voltou a unir arte e política em uma performance carregada de ironia e simbolismo. Antes de cantar seu consagrado hit Vermelho, canção frequentemente associada à esquerda brasileira, provocou: “Olha a tornozeleira aí, gente!”. A frase arrancou risos e aplausos da plateia, antes de sua risada contagiante ecoar pelo palco, onde seu corpo amazônico dançava ao som de “o velho comunista se aliançou”.

Fafá de Belém segue sendo o que sempre foi: uma artista que canta, ri e luta com o povo. Viva Fafá!