OLHA A ARAPUCA! Imposto de Renda: temor do governo é alteração sem compensação

Oposição pode apresentar uma emenda para ampliar ainda mais a faixa de isenção, sem definir de onde viriam os recursos para compensar a perda de arrecadação

Apesar da expectativa de que o projeto de isenção do Imposto de Renda volte à pauta na próxima semana, governistas demonstram apreensão quanto ao rumo da votação. O principal receio é que a oposição ou setores do Centrão apresentem uma emenda para ampliar ainda mais a faixa de isenção, sem definir de onde viriam os recursos para compensar a perda de arrecadação.

Hoje, a versão mais recente do relatório prevê isenção total para quem recebe até R$ 5 mil e desconto parcial para rendas de até R$ 7.350. Qualquer tentativa de expandir esses limites colocaria o governo em situação delicada: não teria como orientar a base a votar contra, já que se trata de uma medida popular, mas tampouco dispõe de espaço fiscal para bancar a conta.

Parlamentares do União Brasil, por exemplo, já chegaram a sugerir a retirada das compensações previstas, que hoje incluem sobretaxa de até 10% para salários acima de R$ 50 mil e de 10% para quem recebe acima de R$ 100 mil.

Outros entraves no caminho

Além da disputa em torno da compensação, há fatores políticos que pesam contra a votação:

O papel de Arthur Lira

O relator da proposta, ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), deve se reunir com líderes partidários na próxima terça-feira. Aliados afirmam que sua avaliação é realista: se o texto não avançou até agora, é porque ainda não há clima político para votação.