Movimentos recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) foram motivados pela suspeita de que o ex-presidente Jair Bolsonaro estaria preparando uma rota de evasão para os Estados Unidos. A hipótese levou à autorização das ações deflagradas nesta sexta-feira (18) pela Polícia Federal.
Segundo fontes ligadas à Corte, havia o temor de que Bolsonaro tentasse escapar através da Argentina, governada por Javier Milei, ou mesmo buscasse abrigo na Embaixada dos Estados Unidos em Brasília. Nessa última hipótese, o ex-presidente poderia solicitar algum tipo de salvo-conduto ou até mesmo se refugiar no local, transformando-o em uma espécie de base para ataques orquestrados contra as instituições democráticas brasileiras.
A avaliação entre ministros é de que Bolsonaro tem reagido com crescente instabilidade diante da perspectiva de condenação judicial, possivelmente já em setembro. Desde o agravamento da tensão diplomática com o governo norte-americano, ele tem intensificado publicações em suas redes sociais com ataques ao Brasil e tentativas de deslegitimar o processo judicial em curso, além de lançar ofensas direcionadas a integrantes do STF.
Diante desse cenário, a Suprema Corte considerou essencial impor restrições adicionais ao ex-mandatário. Entre elas, está a proibição de se aproximar de representações diplomáticas estrangeiras e a suspensão de suas atividades em plataformas digitais, consideradas instrumento de possível obstrução de justiça.
Não é a primeira vez que Bolsonaro tenta recorrer a embaixadas como forma de se esquivar da Justiça. Em fevereiro de 2023, após ter o passaporte apreendido pela PF, o ex-presidente passou dois dias escondido nas dependências da Embaixada da Hungria, em Brasília.