A guitarrada é um gênero musical instrumental genuinamente paraense, nascido na década de 1970. Ele mistura a força da guitarra elétrica com ritmos vibrantes da Amazônia e do Caribe.
Origem e Fusão
O estilo surgiu da fusão do choro e do carimbó com ritmos caribenhos, como o merengue e a cumbia. Músicos locais adaptaram os solos dessas músicas tropicais para a guitarra solo. O grande pioneiro e criador do gênero foi o músico Mestre Vieira, com o disco "Linha de Frente" em 1978.
Características Musicais
- Protagonismo: A guitarra elétrica dita a melodia principal.
- Rápida e Dançante: Ritmo acelerado e altamente contagiante.
- Solos Marcantes: Uso constante de técnicas como o fuzz e efeitos de eco.
- Base Percussiva: Sustentada por batidas fortes de carimbó ou lambada.
Evolução e Legado
Nos anos 2000, o gênero ganhou cara nova com o movimento Lambada Quente e bandas como Mestre Curica e Pio Lobato. Hoje, o grupo Pio Lobato e os Mestres da Guitarrada mantém a tradição viva. A guitarrada é considerada patrimônio cultural imaterial do Estado do Pará.
A guitarrada é uma das principais fundações estéticas do tecnobrega, servindo como a base melódica e rítmica que os produtores paraenses aceleraram e digitalizaram a partir dos anos 2000.
Transição do Analógico para o Digital
O brega tradicional dos anos 1980 já utilizava os solos marcantes de guitarra herdados da guitarrada. Quando surgiu o tecnobrega, os músicos substituíram as bandas completas por sintetizadores e computadores. No entanto, a identidade da guitarra solista permaneceu viva, sendo simulada por teclados ou gravada diretamente sobre as batidas eletrônicas.
O Sotaque Elétrico e a Melodia
- Solos Sintetizados: As linhas melódicas rápidas e choradas da guitarrada foram traduzidas para os timbres eletrônicos do tecnobrega.
- Aceleração do Ritmo: A batida dançante da guitarrada (vinda do carimbó e da cúmbia) ganhou bumbos eletrônicos mais pesados e rápidos.
- Protagonismo Mantido: Assim como a guitarra cantava na guitarrada tradicional, no tecnobrega os solos instrumentais (reais ou digitais) comandam os refrões.
O Elo do Brega Pop e do Calypso
Nos anos 1990, antes do "tecno" estourar, o movimento Brega Pop serviu de transição. O guitarrista Ximbinha (Banda Calypso) uniu a velocidade da guitarrada clássica ao brega cantado. Essa fusão abriu caminhos para que artistas do tecnobrega moderno, como Gaby Amarantos, usassem samples de guitarrada em suas faixas eletrônicas.
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