O que disse Bolsonaro após PF instalar tornozeleira eletrônica

Fala em perseguição política e demonstra preocupação com possível prisão de Eduardo

Após comparecer ao departamento policial para a instalação da tornozeleira eletrônica, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) falou com a imprensa nesta sexta-feira (18). Ele voltou a negar qualquer intenção de deixar o Brasil e afirmou ser vítima de uma “perseguição”. Classificou ainda a decisão judicial como uma “suprema humilhação”.

“Meus advogados tomaram conhecimento do inquérito, que também envolve meu filho por estar nos Estados Unidos. É uma nova investigação, e eu também estou incluído nela”, afirmou. A referência é ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos EUA. Segundo Bolsonaro, o filho pode enfrentar medidas semelhantes caso retorne ao Brasil: “Se ele vier para cá, vai ter problemas”.

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), impôs uma série de medidas cautelares a Bolsonaro, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno, proibição de contato com outros investigados, restrição ao uso de redes sociais e impedimento de se aproximar de embaixadas.

O ex-presidente também voltou a desqualificar a investigação sobre tentativa de golpe de Estado. “Esse inquérito é político. Não há nada de concreto. A própria Polícia Federal não me colocou no 8 de janeiro. O procurador-geral foi além, mas não há provas. Que golpe seria esse, num domingo, sem Forças Armadas, sem armas? É um golpe de festim”, ironizou. E concluiu: “Espero que o julgamento seja técnico, não político”.

Bolsonaro também rejeitou as especulações sobre possível fuga: “Isso é um exagero. Sou ex-presidente da República, tenho 70 anos. Já é a quarta busca e apreensão contra mim. Suprema humilhação”. E ironizou: “Sair do Brasil é a coisa mais fácil que tem”.

Questionado sobre os itens apreendidos em sua residência pela Polícia Federal, o ex-presidente minimizou a importância do material. “Pen drive? Não faço ideia. O dólar está com recibo do Banco do Brasil”, respondeu.

Em relação à situação de Eduardo Bolsonaro, admitiu preocupação com o risco de prisão caso ele retorne ao Brasil. “Se ele vier para cá, vai ter problemas”, disse. Ainda defendeu o filho, afirmando que ele está nos Estados Unidos “lutando por democracia e liberdade” e negou qualquer envolvimento com pressões econômicas: “Ele não articulou nenhum pró-tarifaço”.

Por fim, Bolsonaro negou ter buscado apoio internacional ou pensado em asilo diplomático. “Nunca cogitei sair do Brasil, nem ir para uma embaixada. Mas as medidas cautelares foram baseadas nessa suposição”, afirmou.