O PL no Piauí e a oposição: entre erros e desastres

A crise do PL no Piauí expõe uma oposição marcada por disputas pessoais, incoerências e um projeto político que gira mais em torno do adversário do que de propostas


“Você marcha, José! José, para onde?” (Drummond de Andrade)

Faz muito tempo, desde minha última coluna. Copa veio e mais uma vez o Brasil não levou, Flávio Bolsonaro fazendo malabarismos para esconder sua relação com o Vorcaro, novo tarifaço do Trump contra o Brasil e assim vai. Porém, quero comentar o mais novo acontecimento no que diz respeito ao lado político. O partido Liberal, tanto na esfera nacional, quanto no estado do Piauí consegue fazer uma proeza interessante: Adoram as contradições, brigas e desavenças. Seu Deus é a ganância, sua pátria é uma terra arrasada e sua família é cheia de ingratos. “Deus, pátria e família”, como diz o lema, adotado por eles, pode ser resumido em: Estou em um lugar que não quero, numa família que não desejo e servindo à um Deus que não acredito. O que os une, mesmo assim? Simples, a fantasia quase que erótica em “tirar o PT” a todo custo. Não possuem propostas. Não possuem ideias. Digo e repito: Ser de direita para esse pessoal é tão somente ser contra o PT. 

Sabemos muito bem que o PL no Piauí não vai muito longe e muitas são as razões para afirmar isso. Todavia, acima de tudo, o PL não vai muito longe, pois sua imprevisibilidade e amadorismo são critérios obrigatórios para o sentimento de pertencimento em seus quadros. O jornalista Toni Rodrigues, pré-candidato ao governo do estado, teve essa mesma pré-candidatura retirada pelo PL. O “além da notícia” realmente gosta de ir além, e seu desgosto nos últimos dias paira sobre um possível acordo entre o PL e o Progressistas sem qualquer tipo de transparência, como afirma o próprio. A legenda, por sua vez, reafirma a pré-candidatura de Tiago Junqueira, ao Senado. Parte da imprensa fala que o Tiago, presidente do PL Piauí, tornou-se um pouco mais conhecido, graças ao Toni. Outra parte da imprensa e mais alguns falam que o correto mesmo é o PL fazer alianças, logo no primeiro turno se quiser correr um pouquinho mais na campanha eleitoral. Enfim, todos com o mesmo objetivo: Tirar o PT... Tirar o PT... Tirar o PT. Quem gosta disso? Acredito que o Joel Rodrigues, pré-candidato ao governo pelo Progressistas. Por um lado, tem o PL que agora tenta fazer alianças para sobreviver e ter um pouco de protagonismo nessa novela grotesca. Por outro lado, tem o Joel Rodrigues que quer acreditar cada vez mais que tem brilho próprio e pulso firme para fazer algo. Tudo é sobre o outro e nada sobre si. O PL é contra a corrupção, mas faz acordos com Ciro Nogueira. Joel e o Progressistas, por sua vez, escondem seu apreço por sugar ao máximo as benesses da “direita” em seu reduto, sem falar necessariamente que é de direita, ou que apoia em segredo todo o projeto fascista que vem do PL e da família Bolsonaro. Mas até aí mora um dado interessante, e talvez um “plot twist”: O PL não é da família Bolsonaro. O PL é do Valdemar da Costa Neto, e sabemos muito bem os interesses do Valdemar. O Joel não tem autenticidade, vive na sombra do Ciro Nogueira. É despreparado. Não tem muita competência para a coisa. Ciro, nessa história toda, é de direita quando convém, elogia o Lula quando atende aos seus interesses, e faz política para si. É o “pai dos prefeitos”, como gosta de ser chamado, mas também é o “pai” da mentira, alimenta no Joel a ideia que o mesmo é alguma coisa. 

Tudo que começa mal, termina mal. A oposição, com alianças ou em aspectos alternativos, não se deu conta do seu próprio problema: Eles mesmos. A contradição chega a ser lamentável. Toni sabe que iria perder, o Tiago também sabe disso, o Joel também sabe disso, e o Ciro sabe que não precisa de muita coisa, basta apenas sua eleição. O Progressistas não tem histórico e nem legado, apenas tem o interesse de um homem em seu individualismo, Ciro. O PL não tem direção e nem senso de realidade, apenas tem vontade de ter vontades. Dizem que uma boa oposição é aquela que grita, pois esta é a função dela. Todavia, essa oposição do Piauí geme no ofegante prazer de seu próprio infortúnio e vice versa. Um usa o outro para quase nada. O vencedor tem apenas o prêmio de “eu não sou pior que você”. Querer Tirar o PT a todo custo, negando todos os feitos à população que teve sua vida melhorada por políticas públicas sérias, ainda é o de menos. O ruim dessa história está em outra coisa: A perturbação de querer superar o “inimigo”, vivendo em função do “inimigo”. Não é o PT que eles precisam tirar. É a sua própria loucura que eles deveriam remediar. Curar totalmente.... Não sei se é mais possível.