O crime que abalou Teresina e Parnaíba: a prisão, a confissão, o velório, o luto e a comoção

O guarda municipal Francisco Fernando, preso sob suspeita de matar a ex-esposa e o vereador de Parnaíba, afirmou durante interrogatório que não conseguiria prestar depoimento por estar “muito abalado psicologicamente”

O guarda municipal Francisco Fernando de Oliveira Castro, preso sob suspeita de matar a ex-esposa, a comandante da Guarda Civil Municipal (GCM) de Parnaíba, Penélope Brito, e o vereador Thiciano Ribeiro (PL), em Teresina, afirmou durante interrogatório que não conseguiria prestar depoimento por estar “muito abalado psicologicamente”. O procedimento foi acompanhado pela defesa na noite de quarta-feira (27).

Inicialmente, o investigado confirmou seus dados pessoais, mas, após orientação do advogado Marcos Vinícius Brito Araújo, interrompeu as respostas. “Nesse momento eu estou muito abalado psicologicamente e vou prestar meu depoimento futuramente”, declarou.

Motivo passional e execução planejada

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), Francisco Fernando não aceitava o fim do relacionamento com Penélope, encerrado há cinco meses. Ele teria dirigido de Parnaíba até Teresina, após o fim de um plantão, com a intenção de matar a ex-companheira e o vereador. O crime ocorreu na manhã de quarta-feira, em frente ao Hospital Prontomed, no Centro da capital, onde as vítimas foram executadas a tiros.

As imagens de câmeras de segurança mostram o momento da execução. Um taxista que passava pelo local foi atingido de raspão no rosto, mas não corre risco de vida. O inquérito tem prazo de dez dias para ser concluído e o suspeito segue preso em unidade especializada.

Prisão e apreensões

Francisco Fernando foi localizado no bairro Parque Piauí, Zona Sul de Teresina, em operação conjunta das polícias Civil e Militar e do Departamento de Homicídios. Ele estava escondido na casa da mãe. Com ele, foram apreendidas armas de fogo, dinheiro em espécie e o veículo usado na fuga.

Na mesma noite, equipes do Batalhão Especial de Policiamento do Interior (BEPI) apreenderam em uma residência em Parnaíba um arsenal atribuído ao guarda municipal: três pistolas (Glock calibre .380, Taurus .22 e Taurus G2C 9mm), carregadores, coldres, uma carabina de pressão, além de 1.519 munições calibre .22, 215 de 9mm, 155 de .380, espoletas e uma máquina de recarga. Todo o material foi encaminhado à Central de Flagrantes.

Confissão a familiares

Logo após o crime, o suspeito ligou para a irmã e confessou o assassinato, segundo relato da própria familiar. “Eu matei o vereador, mas não sei se Penélope está viva”, teria dito. A irmã insistiu para que ele se entregasse, lembrando que a mãe preferia vê-lo preso do que morto. Outros parentes também confirmaram que ouviram a confissão.

Luto e comoção em Parnaíba

Os corpos de Penélope e Thiciano chegaram a Parnaíba na madrugada desta quinta-feira (28), onde foram velados em duas funerárias no Centro da cidade. O clima foi de forte comoção entre familiares, amigos e autoridades locais.

O tio do vereador, João Batista Costa, destacou a dor da família:
“Ontem Thiciano estava em uma festa de aniversário e hoje está em um caixão. Quem matou meu sobrinho foi o ódio. Esse cidadão matou uma família inteira”, desabafou.

O presidente da Câmara Municipal, Daniel Jackson, classificou a tragédia como uma perda irreparável para a cidade. “Em menos de quatro meses perdemos dois vereadores. Thiciano, em pouco tempo, conquistou a todos e deixa um legado que será homenageado pela Câmara e pela Prefeitura”, afirmou.

Trajetória das vítimas

Penélope de Brito, de 34 anos, atuava na Guarda Municipal desde 2014 e chegou a comandar a corporação em 2016. Nos últimos anos, exerceu também o cargo de secretária interina de Transportes. Ela deixa um filho de cinco anos, fruto do relacionamento com o suspeito.

Já o vereador Thiciano Ribeiro, de 41 anos, era advogado e havia assumido o mandato em maio deste ano, após a morte do vereador Bruno Vasconcelos, o “Brunão”. Seu sepultamento foi marcado para as 16h desta quinta-feira no Cemitério da Igualdade, enquanto Penélope será sepultada no Cemitério Santana, ambos em Parnaíba.

A Polícia Civil investiga o crime como feminicídio, dado o histórico de ameaças e a motivação passional. O delegado Anchieta Nery reforçou a necessidade de vigilância e denúncia em casos de violência de gênero:
“É preciso construir uma rede de segurança e confiança para que nenhuma vítima se cale diante de ameaças”, destacou.