O episódio mais recente envolvendo a PEC DA BANDIDAGEM e a ameaça de votação da anistia a Jair Bolsonaro escancara, mais uma vez, a natureza política do Centrão: um bloco de partidos que opera pela lógica da chantagem, do toma-lá-dá-cá e da captura das pautas do Congresso em benefício próprio.
Mesmo após 12 deputados do PT terem votado a favor da chamada PEC DA BANDIDAGEM, não foi suficiente para saciar o apetite do bloco. O Centrão queria mais: queria a submissão completa do PT e do governo Lula ao seu projeto de autoproteção parlamentar. Como não obteve a obediência total, decidiu reagir com aquilo que sabe fazer de melhor — ampliar a pressão e trazer ao plenário mais maldades, como a tentativa de anistiar Bolsonaro e seus aliados golpistas.
A chantagem como método
O recado do Centrão foi claro: se o governo não atende às suas prioridades corporativas, não terá reciprocidade em pautas de interesse da população. A ameaça explícita de votar a urgência da anistia logo após a derrota parcial da PEC DA BANDIDAGEM mostra como esse bloco opera com pautas de retaliação, usando a democracia como moeda de troca.
Essa lógica perversa transforma o Parlamento em campo de barganha permanente. Em vez de legislar para melhorar a vida dos brasileiros, o Centrão concentra energia em projetos que blindam políticos investigados ou aliviam a barra de condenados por atacar a democracia.
O erro de acreditar no diálogo
Há, dentro do PT e da base governista, quem ainda alimente a ilusão de que é possível avançar socialmente com esta composição da Câmara. O comportamento recente do Centrão demonstra o contrário: o bloco não atua para construir consensos em torno de políticas públicas, mas para extrair concessões. Cada concessão abre espaço para uma nova exigência.
A reação de setores do PT que votaram pela PEC DA BANDIDAGEM ilustra a armadilha: ceder não resolve, apenas fortalece a chantagem.
A desconexão com a sociedade
Enquanto isso, as prioridades do Congresso vão ficando cada vez mais distantes da realidade dos brasileiros. O custo da energia elétrica, a precarização do trabalho e a redução do IR não mobilizam com a mesma intensidade o Centrão. O que mobiliza são os interesses corporativos, as anistias oportunistas e as blindagens legislativas.
Ao insistir nessa pauta, o Centrão empurra o país para um beco institucional, em que a agenda parlamentar não dialoga com a agenda social.
O episódio da PEC DA BANDIDAGEM e a ameaça da anistia a Bolsonaro são apenas mais um capítulo da história de chantagem política que sufoca a democracia brasileira.