Novelas das Frutas viralizam e geram polêmica; entenda

Trend levanta debates sobre sexualização e falta de moderação nas redes

Versão brasileira da trend Fruit Love Island, as “Novelas das Frutas” viralizam no Instagram e TikTok com vídeos de IA que humanizam frutas em dramas no estilo de novela. Personagens como Moranguete e Abacatudo se destacam e marcas aderem, enquanto o formato gera debates e polêmica.

O que aconteceu

Inspiradas na tendência norte-americana Fruit Love Island, as “Novelas das Frutas” se tornaram um fenômeno nas redes sociais brasileiras, especialmente no Instagram e no TikTok. O formato combina inteligência artificial, humor e estética de novelas em formato vertical, criando vídeos em que frutas são humanizadas e colocadas em tramas dramáticas típicas da televisão brasileira.

A produção desses conteúdos utiliza ferramentas de IA para dar aparência, voz e personalidade às frutas, permitindo que elas participem de histórias repletas de reviravoltas, conflitos emocionais e situações exageradas. Os vídeos reproduzem diálogos dramáticos e cenas de tensão, simulando o estilo de folhetins conhecidos do público.

Entre os personagens mais populares estão Moranguete e Abacatudo, frequentemente envolvidos em narrativas que incluem traições, disputas afetivas, problemas financeiros e forte carga de tensão emocional e sexual, elementos que ajudam a reforçar a estética de novela e impulsionar o engajamento.

A trend não se limita a criadores independentes. Perfis como @frutas_emcena, @memes.abacatud, @cinema.iaoficial e @noveladasfrutass1 são dedicados exclusivamente a esse tipo de conteúdo. Além disso, marcas também passaram a adotar o formato como estratégia de marketing digital. Empresas como SBT, Burger King e iFood já utilizaram referências das “Novelas das Frutas” em campanhas para aproveitar sua viralização.

Apesar do sucesso, a tendência também gera controvérsias. Críticos apontam a reprodução de estereótipos, especialmente na forma como personagens femininas são retratadas, muitas vezes como interesseiras ou excessivamente sexualizadas. Também há críticas à presença de discursos associados à chamada “machosfera”, com classificações como “alfa” e “beta”, vistas como simplificações problemáticas de gênero e comportamento.

Outro ponto de preocupação é a falta de regulação. Como os vídeos são publicados diretamente nas redes sociais, não passam por classificação indicativa formal, o que levanta alertas sobre o acesso de crianças e adolescentes a conteúdos potencialmente sexualizados ou com violência sem mediação adequada.

Assim, as “Novelas das Frutas” exemplificam o uso criativo da inteligência artificial no entretenimento digital, ao mesmo tempo em que evidenciam debates sobre ética, moderação de conteúdo e responsabilidade nas redes sociais.